30.6.12
29.6.12
amigos para sempre
chegado, num outro formato, ao meu e-mail, vindo do M.
- um destes amigos da presença diária de antigamente,
de quem tenho, às vezes, muitas saudades.
"entre o dia de ficarmos amigos e o dia de morrermos
vai uma distância tão grande como a vida"
"entre o dia de ficarmos amigos e o dia de morrermos
vai uma distância tão grande como a vida"
15.6.12
família
será sempre esta a música que me fará regressar a casa e percorrer as memórias em paz.
todas as memórias.
mesmo as que tenho pena de não ter.
13.6.12
do not go gentle into that good night
Do not go gentle into that good night,
rage, rage against the dying of the light.
Dylan Thomas
12.6.12
11.6.12
de vez em quando crescemos para toda a vida.
de vez em quando precisamos mesmo de fazer diferente nem que se nos coma o estômago todo e pareça mesmo que vamos desfalecer e que não vai haver lugar onde consigamos estar seguros sem que o mundo nos caia em cima. de vez em quando parece mesmo que não vamos aguentar e que mais valia estar quieto e não ter de enfrentar as vísceras todas a comerem-se por dentro.
mas tem de ser. temos mesmo de passar por isso tudo. sem desistir.
para sabermos da força que temos e nem imaginávamos.
para sabermos que podemos ir por muitos caminhos e há uns bem melhores do que aqueles que costumávamos fazer.
para confiarmos verdadeiramente em nós e nunca mais voltarmos a desistir.
para irmos em frente e nunca mais termos medo.
e, no fim, ganharmos a certeza de que fizemos o melhor que conseguíamos e sabíamos e podíamos e foi mesmo o melhor.
de vez em quando crescemos para toda a vida.
2.6.12
dia da criança
quando tiramos o curso de educadoras, nem imaginamos tudo aquilo que está para vir.
não imaginamos tudo aquilo de que não ouvimos falar e que nos vai aparecer pela frente. não imaginamos que os assuntos, que passamos ao de leve, são mesmo a vida das crianças, pela qual vamos também ser mesmo responsáveis. e não imaginamos que esses assuntos tenham mais importância do que aquela que lhes estamos a dar enquanto matéria de uma disciplina de faculdade. e a nossa maturidade dos 18, 19, 20 anos talvez não chegue mesmo para entender de que forma eles vão aparecer na nossa vida profissional. e de que forma vai mexer com a pessoa que nós somos também fora do nosso trabalho.
hoje, no dia da criança, tive de tomar uma decisão que espero,
muito sinceramente, que ajude uma criança a ser feliz.
31.5.12
29.5.12
yatra
yatra.
uma viagem maravilhosa,
em cena no teatro da malaposta.
uma viagem de riso emocionado.
tão simples.
tão fundo.
tão bonito.
yatra.
25.5.12
22.5.12
21.5.12
viagens
levam-me sempre a lugares novos.
dentro e fora de mim.
a lugares novos nunca conhecidos.
a lugares novos nos já conhecidos.
e por isso
são sempre
um encontro
são sempre
um encontro
e um reencontro
de muitos lugares.
como se todos os lugares existentes
dentro da minha vida
tivessem de se abrir e fechar
nascer e morrer
para tudo se reorganizar.
no que sei e no que sinto.
12.5.12
11.5.12
6.5.12
poesia nas conversas
enquanto cortávamos papel sem fim para o trabalho da semana seguinte, íamos conversando sobre a vida e sobre nós. de onde somos, de onde sentimos que somos.
E. - nós somos da terra para onde vamos trabalhar.
C. - mas a E. não se cansa de falar da terra e até os olhos brilham quando fala da sua horta.
E. - pois é... pois é...
(silêncio das tesouras a cortar)
E. - sabe, C., quando casei, tive de vir para Lisboa... e custou tanto. vir para o apartamento.
quando fechava as persianas, até parece que se fechava tudo em mim.
(silêncio e tesouras paradas)
E. - era mesmo isso...
4.5.12
2.5.12
1 de Maio
para além disto e disto, a imagem que me veio imediatamente à cabeça foi a que criei quando li o "ensaio sobre a cegueira". de repente, senti-me num país limite, num desespero desmedido, como se, de facto, estivéssemos à beira do fim do mundo, desprovidos das nossas capacidades humanas e incapazes de medir as nossas acções.
o que vale é que há sempre alguém que transforma estas más sensações em riso.
28.4.12
senta-te aí
Está na hora de ouvires o teu pai
| Puxa para ti essa | cadeira |
| Cada | qual é | que escolhe | aonde | vai |
| Hora-a-hora | e | du | rante a vida | inteira |
Podes ter uma luta que é só tua
Ou então ir e vir com as marés
Se perderes a direcção da Lua
Olha a sombra que tens colada aos pés
Estou cansado, aceita o testemunho
Não tenho o teu caminho pra escrever
Tens que ser tu, com o teu próprio punho
Era isto que eu te queria dizer
Sou uma metade do que era
Com mais outro tanto de cidade
Vou-me embora que o coração não espera
À procura da mais velha metade
*
Rio Grande
25.4.12
24.4.12
e correu para nunca mais voltar
desfazia o muro com toda a sua raiva, com todo o seu ódio. numa explosão interior, esperneando, gritando, enlouquecendo na ânsia de conquistar a sua liberdade e a destruição total do muro sem que nada restasse que estivesse emuralhado. dentro de si nascia uma força sobrenatural muito maior do que o corpo que tinha. uma raiva. um ódio. desse muro. só desse muro. construído nos tempos sem tempo. nos tempo sem sentido de que já nem se lembrava e que não eram mais o seu mundo. dentro de si nascia uma força vinda das entranhas que se soltava em murros e gritos e raiva e loucura. e os gritos e a raiva e a loucura e esta tremenda força trouxeram-lhe os amigos de sempre e para sempre. também enraivecidos e loucos e desejosos de ver o muro desaparecido definitivamente, devolvendo a liberdade talvez nunca sentida. o muro explodiu, rexplodiu e recontraexplodiu. desfez-se em pó. sumiu. desapareceu no universo. o barulho gigantesco das explosões deu lugar ao barulho gigantesco dos gritos. da felicidade. dos abraços. da crença de que agora podia correr. e correu correu. e os amigos a gritar "vai! vai! o mundo é teu!" e correu, olhando para trás... e correu olhando para a frente. e correu sem medo para aquele lugar onde sempre queria ter estado. e correu para nunca mais voltar. correu para nunca-mais-voltar.
21.4.12
jantar
- anda. senta-te. tenho aqui uma sopinha e acabei de pôr a mesa e abrir o vinho tinto. não precisas de explicar nada, nem falar de nada se não te apetecer. é assim este jantar. para tu descansares. para estarmos por aqui. se te vierem as lágrimas aos olhos deixa-as vir. nem penses em pensar no que eu possa pensar. se te apetecer, chora sabes como sou a favor da chuva na altura certa para limpar tudo. mas se não te apetecer, não chores. e se quiseres que fale de trivialidades, diz. sabes que sou boa nisso. e se quiseres que abra o coração para aliviar o teu, também o faço. vá, já chega. tu já sabes tudo. estás em casa. vou pôr uma musiquinha e podemos comer.
há pessoas em quem descansamos melhor do que em qualquer sofá. não porque digam coisas espectaculares. não porque tenham os conselhos adequados para cada tipo de situação. não porque tenham comprado a comida que gostamos mais. mas simplesmente porque sabemos que estão de braços abertos prontos a receber-nos de qualquer maneira. e é um privilégio ter pessoas assim à nossa volta.
17.4.12
atenção à escrita automática
hoje fiquei enternecida com uma mensagem que dizia:
"ainda tens o meu abraço?"
derreti-me.
poesia a meio do dia.
"claro que sim. tenho muitos. vai este agora por mensagem."
de resposta:
"hein?! ainda tens o meu casaco ou não?"
bom, afinal era prosa clarificativa. respondi que "sim" e voltei ao trabalho.
15.4.12
14.4.12
13.4.12
Parto Sem Dor
e agora eu vou-me embora
e embora a dor
não queira ir já embora
agora eu vou-me embora
e parto sem dor
e parto dentro de momentos
apesar de haver momentos
em que dentro a dor
não parte sem dor
sérgio godinho
10.4.12
quadras para um amor simples
larga o peso, menina
não andes tão carregada
que te doem as costas
no fim da jornada
mais do que era preciso
mais do que era devido
larga o peso, tem juízo
e vai ter com o teu marido
ele é bom
tem coração
dá-lhe tu também
a mão
6.4.12
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