25.12.12
Da agenda do pai
"É o tempo, o tempo que leva a vida
que chora e choro na noite triste.
É a mágoa, a queixa mal definida
de quando existe, só porque existe."
Fernando Pessoa
quadras para um amor simples II
e se der ordem em contrário,
por dúvidas no coração,
que não voltem para trás os pássaros,
que mandei na tua direcção.
na tua direcção,
direitinhos a ti,
com recados de amor,
que vieram de mim.
24.12.12
23.12.12
20.12.12
17.12.12
que privilégio
ontem pensei muito no hélder.
pensei muito no privilégio que tive de crescer num movimento que sempre me falou de caminhos e de montanhas e de como esses caminhos e essas montanhas são a aventura e o deslumbre que devemos esperar da vida. de como levar os outros connosco por esses caminhos e por essas montanhas tornam os percursos mais ricos e por vezes menos duros. de como guardar os amigos que nos acompanham pela vida fora passo a passo sempre que subimos mais um pouco, viramos na cortada errada ou paramos tempo demais para descansar, nos dá um aconchego para além de toda a nossa explicação.
pensei muito no privilégio que tive de crescer entre tendas, poesia e música. de crescer em conjunto. de crescer a ter de pensar e sentir.
ontem pensei muito no hélder. pensei muito em como uma pessoa que acredita na humanidade, consegue criar formas de ficar nas pessoas e de tornar as pessoas mais pessoas, com tudo o que isso possa envolver de dureza e leveza dos caminhos.
caminhante não há caminho faz-se o caminho ao andar. não há festa sem os outros. os pássaros foram feitos para voar e voam. construindo a cidade dos homens. vale a pena a vida. creio num deus que saiba dançar. vai valer a pena ter amanhecido. não há longe nem distância. quem não sai de sua casa cria mil olhos para nada. quando chegares ao cimo da montanha, continua a subir. não é vergonha nenhuma ser feliz, mas é uma vergonha ser feliz sozinho. até que ganhei tamanho para voar mais alto que as torres das igrejas. não é de repente que as pessoas estão umas com as outras. de onde quer que venhamos, estamos todos aqui. é proibida a entrada a quem não andar espantado por existir. agora é tempo de andar; mais tarde chegaremos.
caminhante não há caminho faz-se o caminho ao andar. não há festa sem os outros. os pássaros foram feitos para voar e voam. construindo a cidade dos homens. vale a pena a vida. creio num deus que saiba dançar. vai valer a pena ter amanhecido. não há longe nem distância. quem não sai de sua casa cria mil olhos para nada. quando chegares ao cimo da montanha, continua a subir. não é vergonha nenhuma ser feliz, mas é uma vergonha ser feliz sozinho. até que ganhei tamanho para voar mais alto que as torres das igrejas. não é de repente que as pessoas estão umas com as outras. de onde quer que venhamos, estamos todos aqui. é proibida a entrada a quem não andar espantado por existir. agora é tempo de andar; mais tarde chegaremos.
que privilégio...
15.12.12
13.12.12
tudo certo
não há nada que se assemelhe à certeza, que sentimos cá dentro, de que estamos a andar no caminho certo, quando coisas, que temos como certas na vida, acontecem no espaço e no tempo em que estamos e nos dão um prazer imenso de viver.
hoje a minha sala transformou-se verdadeiramente no conceito de escola em que acredito e isso deixou-me muito, muito em paz comigo e deu-me a certeza de que é mesmo possível.
fica, neste fim de noite, a imagem do escuro da sala, com luzes amarelas penduradas junto a todo o natal feito por todos, e as bocas abertas, em suspenso, de crianças, mães e equipa. fica o silêncio de que se enche esta imagem. e o sentimento que me percorreu de que estava tudo certo naqueles dez segundos.
a todos, um feliz feliz natal
assim cheio da sensação de que tudo está certo.
12.12.12
10.12.12
1.12.12
not perfect
Not Perfect
This is my Earth
And I live in it
It's one third dirt and two thirds water
And it rotates and revolves through space
At rather an impressive pace
And never even messes up my hair
And here's the really weird thing
The force created by it's spin
Is the force that stops the chaos flooding in
This is my Earth
And it's fine
It's where I spend the vast majority of my time
It's not perfect, but it's mine
It's not perfect
This is my country
And I live in it
It's pretty big and nice to walk on
And the bloke who runs my country
Has built a demagoguery
And taught us to be fearful and boring
And the wierdest thing is that he is
Conservative of politics
But really rather radical of eyebrow
This is my country
And it's fine
It's where I spend the vast majority of my time
It's not perfect, but it's mine
It's not perfect
This is my house
And I live in it
It's made of cracks and photographs
We rent it off a guy who bought it from a guy
Who bought it from a guy
Whose grandad left it to him
And the weirdest thing is that this house
Has locks to keep the baddies out
But they're mostly used to lock ourselves in
This is my house
And it's fine
It's where I spend the vast majority of my time
It's not perfect, but it's mine
It's not perfect
This is my body
And I live in it
It's thirty-one and six months old
It's changed a lot since it was new
It's done stuff it wasn't built to do
I often try to fill it up with wine
And the weirdest thing about it is
I spend so much time hating it
But it never says a bad word about me
This is my body
And it's fine
It's where I spend the vast majority of my time
It's not perfect, but it's mine
It's not perfect
This is my brain
And I live in it
It's made of love and bad song lyrics
It's tucked away behind my eyes
Where all my screwed up thoughts can hide
'Cause God forbid I hurt somebody
And the weird thing about my mind
Is that every answer that I find
Is the basis of a brand new cliché
This is my brain
And it's fine
It's where I spend the vast majority of my time
It's not perfect, but it's mine
It's not perfect
I'm not quite sure I've worked out how to work it
It's not perfect
But it's mine
Tim Minchin
(Obrigada I.)
26.11.12
24.11.12
imagens
faziam silêncio para não disparar o barulho que se instalara nas suas cabeças e que os fazia estar ali juntos uma última vez, sabendo que nada mais havia a exigir um do outro. partilhavam pela última vez a companhia um do outro, na esperança silenciosa de poder acalmar o coração.
e esta imagem, de um homem e de uma mulher, parados a olhar o mar, num silêncio profundo, era fotografada, ao longe, pelo melancólico homem solitário que procurava o amor aos fins de semana. a imagem trazia-lhe essa emoção. a de um amor profundo. lá, no entanto, no sítio onde ela acontecia, ele não existia.
que uns vêem dos outros apenas imagens e compõem à volta delas as histórias que querem construir para si. e ainda que a realidade possa não existir, fica assim construído o sonho da sua possibilidade.
22.11.12
14.11.12
um megafone para a multidão
"Jairo Campos explicou que, antes da carga policial, os elementos do corpo de intervenção da PSP fizeram duas advertências para os manifestantes dispersarem e estes não abandonaram o local."
rtp
por favor, não me digam que foi este megafone que anunciou às pessoas que deviam dispersar de são bento. por favor, não me digam que a quantidade de gente que hoje apanhou em frente à assembleia devia ter ouvido este megafone. tão igual aos megafones que ninguém entende no meio das manifestações.
eu não ouvi.
e eu estava lá.
e só soube porque ouvi mais tarde na televisão.
e só soube porque ouvi mais tarde na televisão.
e por sorte não apanhei.
e atrás de mim tinha os olhos de ódio de um polícia.
e eu não mandei pedras.
e eu fiquei do lado de quem está pacificamente a mostrar o seu descontentamento.
e eu fiquei do lado de quem não concorda com os ataques à polícia.
e eu fui arrastada com toda a multidão.
e eu quero poder dizer que quero um país diferente.
e eu quero poder dizer que até podemos ser mais pobres, mas que isso seja justo para todos.
e eu não atirei pedras nem garrafas.
e eu estava ao pé de muita gente que também não estava a atirar pedras nem garrafas.
e eu queria agora ter a cabeça e o coração mais calmo, sabendo que o dia de hoje, apesar de toda a violência, seria um dia de mudança.
e ficam as imagens que não dizem de modo nenhum todas as coisas como elas foram.
e fica uma espécie de tristeza misturada com agressividade a latejar cá dentro por nada disto fazer muito sentido e não sabermos afinal como é que um povo se faz ouvir e assume o rumo do seu país.
talvez seja mesmo a hora de nos reinventarmos.
talvez seja mesmo a hora de nos reinventarmos.
mas, não, não me digam que aquele megafone foi o momento em que a polícia pediu aos manifestantes para dispersar. porque esse é o momento em que tudo, tudo fica deturpado nas imagens e que faz da tarde uma outra coisa.
11.11.12
verão de são martinho
hoje o sol bateu-me na cara, com todo o calor que podia, para me aquecer a alma. não pude deixar de agradecer ao são martinho essa sua metade da capa e apreciar, de forma peculiar, esta coincidência do universo, de o trazer todos os anos.
[e hoje em particular.]
[e hoje em particular.]
4.11.12
1.11.12
ao A.
e enquanto os meus pés caminham por entre as folhas douradas do outono na marcha lenta da despedida... agradeço-te, A., o amor.
também a alegria, a simplicidade, a valentia.
mas, acima de tudo, A., o amor.
foi dele que foi feita a tua história.
de um imenso amor.
também a alegria, a simplicidade, a valentia.
mas, acima de tudo, A., o amor.
foi dele que foi feita a tua história.
de um imenso amor.
29.10.12
28.10.12
há dias XXIX
há dias em que o nosso coração bate
de entusiasmo e nervoso ao mesmo tempo
porque pusemos pés ao caminho,
num novo caminho,
num novo caminho,
desenhado já há muito no nosso mapa,
mas ao qual nunca tínhamos tido a coragem de dizer que sim.
há dias em que sentimos que o nosso coração bate.
há dias em que sentimos que o nosso coração bate.
24.10.12
23.10.12
a buganvília
I
foi o primeiro verão em que me preocupei com as plantas cá de casa. foi o primeiro verão em que experimentei deixar montado um sistema de rega que não deixasse secar as plantas e as mantivesse sempre em contacto com água. foi o primeiro verão em que voltei a lisboa de propósito, a meio das férias, para regar as plantas e ver se estava tudo bem. foi o primeiro verão em que fiquei preocupada com elas. e foi o primeiro verão em que morreu tudo na varanda. em setembro, tudo seco. um sentimento frustrado de não ter conseguido. quase uma dedicação desnecessária. mas, bom, a deixar entrar algumas ideias já para o próximo verão. para não deixar esmorecer a vontade de ter um bocadinho de terra e verde e ar puro no meio da cidade.
foi-se mantendo o estado da varanda. fui regando, às vezes, na esperança de trazer alguns vasos de volta à vida. mas os sinais não davam conta de que alguma coisa iria acontecer.
II
normalmente resmungamos com a chuva e damos-lhe um lugar algo desconfortável. as primeiras chuvas trazem o cheiro da terra, mas ao fim de quatro ou cinco chuvas, temos as primeiras constipações e os primeiros dissabores da roupa molhada pelos carros e então desenvolvemos o mau humor. luto contra isto há algum tempo, tentando ver sempre o lado bom das chuvas e destes dias outonais e invernosos que nos tiram da festa dos dias de sol. mas às vezes é difícil, sim. a quantidade de nuvens e o tecto que se desenvolve no céu tem por vezes um efeito sufocante com o qual é difícil lidar.
III
mas ontem, ontem, a chuva trouxe-me a certeza de que lhe devemos um respeito muito grande e de que, de facto, ela tem mesmo de vir e ficar o tempo suficiente para conseguir a sua missão.
ontem, ao fim de umas quantas chuvas, reparei melhor no vaso da buganvília. lá, de dentro do tronco inicial, começaram a nascer folhas novinhas, bem verdinhas e rijinhas. fortes. com força para voltar a dar vida àquela maravilhosa planta.
confirmaram-me as minhas amigas com partilho as minhas dificuldades jardineiras.
IV
I. "é a força da natureza!"
T. "ela é forte! começa devagarinho mas depois vai ser um espectáculo!"
"grande lição de vida" respondi eu
(a alegria deste post é inteiramente dedicada à T. e à I. que partilham comigo esta minha vontade de saber cuidar da minha varanda e da natureza que tento manter à minha volta. um obrigada muito grande a elas.)
21.10.12
20.10.12
"Não há muitos portugueses com a percepção de Manuel António Pina de que o futuro existe e que não pode estar condenado a esta inevitabilidade", acrescentou. "Era um daqueles seres humanos com capacidades únicas para nos fazer assentar os pés na terra e levar-nos a pensar o futuro pela razão e pelos valores."
17.10.12
para usar dentro e fora da piscina
"lembra-se do que lhe disse na última aula? com calma. a usufruir do movimento. deixar deslizar o corpo e aproveitar este tempo. quero ver isso."
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