16.10.12
hein?
“Estamos profundamente sensibilizados e honrados pelo facto de a União Europeia ter recebido o Nobel da Paz. A reconciliação é a essência da UE. É um projecto único que substituiu a guerra pela paz, o ódio pela solidariedade", disse o presidente do Parlamento europeu, o alemão Martin Schulz, que foi o primeiro a reagir à distinção.
14.10.12
porcaria
tira
tira
tira a porcaria
tira
tira a porcaria toda
tira-a toda duma vez
tira-a toda toda toda
para não te arreliares mais
vai lá bem ao fundo
vê lá bem o que lá está
e tira-a toda toda toda
limpa tudo duma vez
mas vê lá comé que fazes
que não queremos
como em antes
tudo assim escarafunchado
aliás
inda melhor
não guardes é porcaria
nem a deixes mais entrar
que se entrar
é para sair
e já não te incomodar
deixa-a logo no lugar
não a guardes para ti
que se guardas
é pra quê?
pra te arreliar o espaço?
pra te arreliar o tempo?
para não a dar aos outros?
e se foram eles a dar-te?
limpa toda a porcaria
limpa agora a que já tens
e promete "nunca mais"
ficar com ela para ti
e dar voltas por demais
até a alcançar
e podê-la puxar
deixa a tua casa em paz
qu'ela está já bem bonita
já não vai andar pa trás
por causa duma porcariazita
tira
tira a porcaria
tira
tira a porcaria toda
tira-a toda duma vez
tira-a toda toda toda
para não te arreliares mais
vai lá bem ao fundo
vê lá bem o que lá está
e tira-a toda toda toda
limpa tudo duma vez
mas vê lá comé que fazes
que não queremos
como em antes
tudo assim escarafunchado
aliás
inda melhor
não guardes é porcaria
nem a deixes mais entrar
que se entrar
é para sair
e já não te incomodar
deixa-a logo no lugar
não a guardes para ti
que se guardas
é pra quê?
pra te arreliar o espaço?
pra te arreliar o tempo?
para não a dar aos outros?
e se foram eles a dar-te?
limpa toda a porcaria
limpa agora a que já tens
e promete "nunca mais"
ficar com ela para ti
e dar voltas por demais
até a alcançar
e podê-la puxar
deixa a tua casa em paz
qu'ela está já bem bonita
já não vai andar pa trás
por causa duma porcariazita
10.10.12
morcelas
fui no domingo ao mercado da covilhã, no mercado da ribeira. a serra na capital. os sabores da serra aqui pertinho. um deslumbre. provei os enchidos em quase todas as bancas e eis que numa delas estão as morcelas de arroz que queria encontrar. uma maravilha de sabor e textura. a delícia dos salgados. pedi duas e pensei em dois amigos para me virem ajudar a comê-las. morcelinhas de arroz com grelos. hmmm. o sabor! combinadas as coisas fica a maravilha para comer hoje ao jantar com os dois amigos, depois de uma aula de natação. perfeito! meio da semana. companhia boa. rico jantar. os grelos comprados fresquinhos ao fim da tarde e um dente de alho, não fosse faltar o alho em casa. tudo perfeito.
bom, tudo perfeito até chegar a casa e dar de caras com as morcelas meias esverdeadas e com um sabor já diferente... eu nem sei explicar a raiva e o amuo que nasceram dentro de mim. tratei de cancelar o jantar, porque afinal o que importava eram as morcelas, agora verdes. num ápice, cancelei tudo e desatei a aquecer no microondas o resto da comida de ontem. comi amuada. fiz o telefonema que tinha para fazer amuada. vi os mails amuada. escrevi um amuada. e, nem acredito bem, mas ainda me sinto amuada e irritada.
é que eram mesmo tão boas as morcelinhas... garantidamente boas... e é tão raro...
9.10.12
5.10.12
courgettes
soraia mexia-se a um ritmo alucinante dentro do seu pequeno espaço de caixa. era chamada pelas colegas das outras caixas e respondia apressada, mas solicitamente. não se esquecia dos pequenos pormenores que o cliente anotava. faltava-lhe material e fazia-o chegar à velocidade da luz. soraia é uma senhora da caixa eficiente. que não sua, que não resmunga e que consegue dar atenção a vários estímulos ao mesmo tempo, sem perder qualidade.
naquele instante, depois de ter descoberto a falta de sacos e ter corrido todas as outras caixas, recebendo pelo caminho vários apelos das caixas vizinhas e ter soltado um têm de tratar das vossas caixas e não tirar da minha, soraia começou então a passar as compras expectantes atrás da barrinha cliente seguinte. vamos lá então. iogurtes. pip. manteiga. pip. requeijão. pip. courgettes... courgettes. verificar balança. courgettes. verificar balança. tens sacos soraia? verifica a balança. cancelar. courgettes. verificar balança. reverifica. cancelar. paula preciso da marta rapidamente aqui. courgettes. verificar balança. desencaixa a balança. cancelar. a marta! sacos para a caixa 2. esse telefone não funciona. courgettes. verificar balança. espreita por baixo do balcão. desencaixa a balança. a marta não vem. verificar balança. cancelar. courgettes. verificar balança. cancelar. courgettes. verificar balança. cancelar. courgettes. verificar balança. cancelar...
soraia respira fundo. ajeita o rabo de cavalo e no meio do frenesim, pára um pouco e murmura afirmativamente eu não mereço isto. e de facto não merecia. numa tentativa mais... courgettes. pip. eu sabia que não merecia.
3.10.12
piscina
hoje voltei à piscina a sério. com um professor daqueles que nos faz competir connosco próprios, que nos faz fazer mais piscinas do que aquelas que nos sentíamos capazes e que nos faz treinar os estilos com o nosso maior estilo. hoje ele disse "nada muito bem. bem vinda à piscina." e eu tive a mesma sensação que tinha aos doze anos quando me diziam que eu nadava bem e que estava pronta para as competições. uma competição comigo própria. por me saber capaz. por ter conseguido chegar lá. e hoje... hoje voltei a esse sítio lá longe, cheio de cloro e vapor e valor.
um muito obrigado ao professor de natação e a todos aqueles de quem já não me lembro, mas que plantaram aqui esta capacidade de querer competir comigo própria, para conseguir sempre chegar lá - até mesmo aquele de quem eu não gostava nada.
2.10.12
aquele amigo...
hoje parei num semáforo e fiquei ali, com o sono matinal, a olhar distraidamente para os sonolentos madrugadores das sete da manhã como eu. não me lembro bem que música estava a dar, mas ela embalava sem querer uma certa nostalgia. e, mesmo tendo a cabeça vazia, a sensação era de sossego.
e, foi então, que, num desses olhares desinteressados pelas janelas ainda meias húmidas, me pareceu ver um amigo que não vejo há anos. não sei já bem quantos. mas já dá para usar a expressão há anos.
foi então que me pareceu vê-lo. a música não era o i can see clear now nem o what a wonderful world, mas de repente, era como se um anúncio me surgisse na cabeça e a voz off aparecesse instantaneamente a acompanhar os passos daquela pessoa tão parecida com aquele meu amigo que não vejo há anos!
há quanto tempo não vê aquele amigo? quantos dias passarão até que o reencontre? não perca mais tempo. não insista nas saudades...
e pronto, fiquei por aqui... o anúncio não continuou. ficou verde. eu não achei o produto certo para tanto tempo...
o meu amigo ficou mais na cabeça do que o anúncio ou aquele minuto parada no semáforo com música nostálgica e uma pessoa tão parecida com o meu amigo.
o anúncio não continuou porque eu não encontrei uma forma de voltar a encontrar o meu amigo. porque de repente, se fosse mesmo o meu amigo, eu não saberia se o chamava ou se simplesmente apreciava o seu passo ligeiro, com certeza mais velho, e o deixava continuar a sua vida sem saber que a poderia, naquele instante, ter cruzado com a minha.
este amigo, que não vejo há anos, foi indo com o tempo. não resistiu às separações e às diferentes escolhas da vida. este amigo que há anos me era inseparável, ficou assim, um simples sonolento madrugador que se cruza comigo no semáforo da manhã, sem que eu tenha vontade de abrir o vidro e acabar anúncios que nos voltariam a fazer encontrar.
e, embora a vida vá andando e consigamos sempre pôr as pessoas nos sítios certos, há umas quantas que fazem um caminho tão grande para fora de nós que chega a ser estranho imaginar que estiveram tão próximas e que lutámos imenso para que elas ficassem.
hoje, para este meu amigo, uma vontade imensa de o ver passar na rua, só para ver como está.
1.10.12
falava falava falava
e ela falava falava falava... com tantas tantas palavras que a sua cabeça era demasiado pequena para tudo aquilo que ela dizia. credo! não era possível. já nem tinha o telefone nos ouvidos, mas dali do sítio onde o tinha pousado, continuava a ouvir-se a sua voz ininterruptamente. teve tempo de fazer um jantar inteiro. e nem a falta de respostas lhe deu indícios de que não estava a ser ouvida. então declarou "olha, agora tenho de me concentrar aqui no jantar..." e ela ainda disse mais uns cinco minutos de coisas. "vá, um beijinho. falamos depois." e desligaram. e a sensação era a de que não precisava de ser ouvida. precisava só mesmo de pôr tudo cá para fora antes de ir dormir para não ter a cabeça tão cheia em cima da almofada e conseguir o sossego nocturno.
27.9.12
olhos
disse-lhe ela ao ouvido tenho de virar os olhos para fora. mas ele não percebeu. não era a dicção. não era a articulação. mas ele não percebeu o quê? pareceu-lhe a ela que o problema era o volume e repetiu mais alto. com os lábios ainda encostados no ouvido dele. tenho-de-virar-os-olhos-para-fora. é desta. ele acariciou-lhe os cabelos. afastou-se. olhou-a por momentos nos olhos. encostou os lábios ao seu ouvido e sussurrou-lhe tu tens os olhos virados para fora. então ela descansou a cabeça nos seus lábios e fechou finalmente os olhos.
26.9.12
setembro
desde sempre que setembro é um mês estranho de nostalgia e recomeço. acabaram as férias. tenta-se prolongá-las mais um bocadinho enquanto faz bom tempo. fazem-se revisitas em fotografias e conversas de amigos e pequenos momentos antes de adormecer. guardam-se umas quantas memórias para aquecer o coração durante o frio do inverno. traz-se a força que ficou delas. e recomeça-se de novo. começam-se a traçar novos projectos. a não deixar morrer alguns já traçados. tentam encaixar-se horários, reganhar a rotina necessária para a organização mental e circunstancial. começa-se a acordar de noite. a jantar já de noite. a tentar fazer tudo o que queremos entre uma noite e a outra. no fundo, vamos tendo a certeza de que o verão acabou e de que a mudança está para acontecer. e entre o longo agosto de praia, que se apequena quando voltamos, e o outonal outubro já equilibrado no corpo e nos dias, fica este mês de setembro nostálgico e sonhador. agridoce. docemente tumultuoso.
22.9.12
muda de vida
Muda de vida se há vida em ti a latejar
Olha que a vida não é nem deve ser
como um castigo que tu terás que viver
António Variações
20.9.12
19.9.12
sacos de plástico
é tão difícil arrumar sacos de plástico. conseguir a combinação perfeita entre o espaço, o objecto, a paciência e o tempo para os arrumar. dá pena deitá-los fora, porque pode sempre aproveitar-se para "qualquer-coisa". dá pena porque até parece mal comprá-los e não os reutilizar. vão-se guardando todos. um dia, já eles estão demasiado despenteados, até começam a aparecer fora do sítio onde se guardam. depois arranja-se um outro saco para os sacos que estão de fora e ficam guardados "mais-aqui-à-mão". e depois o saco de papel que sempre dá para a reciclagem. e mais os sacos das lojas que são tão giros e não sei quê e não sei que mais... e de desculpa em desculpa, chegamos ao dia em que um grande monte de sacos tomou a nossa casa e nós ficamos todos amarfanhadinhos, guardadinhos num sítio qualquer.
18.9.12
corpo
concentra-te no corpo.
concentra-te no potencial de cada parte do corpo.
concentra-te no que ele te diz e no que te pede.
pensa que és o corpo e não que o tens.
acredita que ele pensa e sabe o que tens de fazer.
ouve-o.
concentra-te no potencial de cada parte do corpo.
respira.
concentra-te na vida que lhe corre dentro.
respira.
concentra-te no que ele te diz e no que te pede.
respira calmamente.
pensa que és o corpo e não que o tens.
(...)
acredita que ele pensa e sabe o que tens de fazer.
ouve-o.
respira.
respira.
respira.
16.9.12
dia seguinte
naquele dia seguinte aos grandes acontecimentos parece que fica em nós um silêncio sossegado e os pensamentos têm espaço para serem tidos com calma. num desses passeios pelos pensamentos, muito acompanhado por aquilo que me ficou no coração, tive a sensação de que é não um direito, mas um dever nosso procurar o melhor e, sem dúvida, marcar esta nossa passagem pelo planeta terra. não para ganharmos méritos, não para ficarmos para a história, mas para termos a certeza de que fizemos o que tínhamos a fazer neste nosso cantinho da humanidade e que ela poderá perdurar pelos tempos sempre com a capacidade de lutar e usufruir de toda a sua vida.
5.9.12
dias úteis
mesmo por pretextos fúteis
a alegria é o que nos torna
os dias úteis
sérgio godinho
para a T., a C. e a J.
e para a praia de fim de tarde
e o anoitecer de caracóis e pica pau
e a noite com esplanada só para nós
e mar ao lado só para nós
e escuridão só para nós
4.9.12
há dias XXVIII
há dias em que sentimos um fervilhar cá dentro
porque uma pessoa deu um salto de gigante ao pé de nós
e começamos a ter vontade de o dar também
2.9.12
diz... e então ela disse. não tenho palavras. e fez um silêncio. não tinha de facto palavras. o vento batia-lhe no corpo, mas era era um vento quente. o sol quase a pôr-se e o vento ainda quente. batia-lhe também o cansaço do dia e a expectativa do seu fim. nunca ousara deixar o dia tão em aberto. e, agora, ali sentada na esplanada, era o silêncio que lhe apetecia. ele acabou por ceder e acompanhar a sua falta de palavras. e era como se nesse instante todas elas se tivessem tornado inúteis e restasse apenas aquele fim de tarde entre os dois.
25.7.12
prenda de anos caseira
Sísifo
Recomeça...
Se puderes,
Sem angústia e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar
E vendo,
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.
Miguel Torga, Diário XIII
(obrigada, R., por este pequeno espaço de partilha.)
20.7.12
34
entretanto fiz 34 anos.
34...
encho sempre as idades de um significado qualquer. sinto sempre uma necessidade de transformar os números ou a época em qualquer coisa simbólica para a minha vida. não sei bem porquê, mas faço isto há muitos anos.
o ano passado fiz 33. que número maravilhoso! que possibilidade espantosa de deixar para trás todos aqueles pedaços de mim que não valem mais a pena serem carregados. aqueles pedaços de vida que não vale mais a pena serem tão pesados. 33. a idade do cristo. a idade da morte do cristo. a idade de deixar morrer todas essas coisas que deixaram de fazer sentido e que não valem a pena o espaço que ocupam.
que maravilha! desde os 25 que não tinha assim uma epifania tão forte sobre o simbolismo de uma idade.
que caminho tão grande à minha frente e que entusiasmo e medo e nostalgia e força e pena e tudo... e que tudo que estava pela minha frente.
a par com o caminho, a minha decisão para os 33 anos foi tomando forma e ganhando todo o espaço dentro de mim. e a cada pequeno e grande passo a minha decisão fazia cada vez mais sentido. que bom sabermos por onde queremos ir, ainda que tudo seja atribulado.
de há umas semanas para cá, a proximidade dos 34, começou a travar este meu entusiasmo. é que " sinto sempre uma necessidade de transformar os números ou a época em qualquer coisa simbólica para a minha vida. não sei bem porquê."
e 34... francamente... 34 depois deste arrebatamento dos 33... hmmm... que coisa mais enfadonha e... entediante... e... que número mais sensaborão...
bem, sem deixar a vida andar para trás, uma nítida tristeza de deixar os 33.
e assim se arrastou esta ideia, entre piadas para os outros e para mim.
mas entretanto, na manhã em que iria fazer essa tal idade sem sabor, acordei com uma outra maravilhosa epifania! nem queria acreditar! ora pois! se os 33 foram para deixar morrer, os 34 são para renascer. para usufruir da possibilidade de não trazer mais aqueles monstros pesados comigo, de não me agarrar àqueles fiozinhos de passado que não acrescentam nada ao meu futuro e à vida inteira que tenho pela frente.
que sorte!
de maneira que, quando a minha mãe ligou à costumeira hora matinal a que eu nasci, tive mesmo a sensação de estar a nascer de novo. de estar a ter a possibilidade de criar tudo outra vez e reinventar novas vidas dentro desta tão grande e tão pequena que temos.
pois então, os 34
15.7.12
rir
“Rir? Pensamos alguma vez em
rir? Quero dizer rir verdadeiramente, além da brincadeira, da troça, do
ridículo. Rir, gozo imenso e delicioso, gozo completo...
Dizia à minha irmã, ou dizia-me ela a mim, anda, vamos brincar a
rir? Estendíamo-nos lado a lado sobre uma cama e começávamos. A fingir, claro.
Risos forçados. Risos ridículos. Risos tão ridículos que nos faziam rir. Então
chegava o verdadeiro riso, o riso inteiro, que nos transportava no seu imenso
rebentar. Risos sem gargalhadas, redobrados, desordenados, desenfreados, risos
magníficos, sumptuosos e loucos... E ríamos até ao infinito do riso dos nossos
risos... Oh rir! Rir de prazer, o prazer de rir; rir, é tão profundamente
viver.”
Annie Leclerc
1.7.12
30.6.12
29.6.12
amigos para sempre
chegado, num outro formato, ao meu e-mail, vindo do M.
- um destes amigos da presença diária de antigamente,
de quem tenho, às vezes, muitas saudades.
"entre o dia de ficarmos amigos e o dia de morrermos
vai uma distância tão grande como a vida"
"entre o dia de ficarmos amigos e o dia de morrermos
vai uma distância tão grande como a vida"
15.6.12
família
será sempre esta a música que me fará regressar a casa e percorrer as memórias em paz.
todas as memórias.
mesmo as que tenho pena de não ter.
13.6.12
do not go gentle into that good night
Do not go gentle into that good night,
rage, rage against the dying of the light.
Dylan Thomas
12.6.12
11.6.12
de vez em quando crescemos para toda a vida.
de vez em quando precisamos mesmo de fazer diferente nem que se nos coma o estômago todo e pareça mesmo que vamos desfalecer e que não vai haver lugar onde consigamos estar seguros sem que o mundo nos caia em cima. de vez em quando parece mesmo que não vamos aguentar e que mais valia estar quieto e não ter de enfrentar as vísceras todas a comerem-se por dentro.
mas tem de ser. temos mesmo de passar por isso tudo. sem desistir.
para sabermos da força que temos e nem imaginávamos.
para sabermos que podemos ir por muitos caminhos e há uns bem melhores do que aqueles que costumávamos fazer.
para confiarmos verdadeiramente em nós e nunca mais voltarmos a desistir.
para irmos em frente e nunca mais termos medo.
e, no fim, ganharmos a certeza de que fizemos o melhor que conseguíamos e sabíamos e podíamos e foi mesmo o melhor.
de vez em quando crescemos para toda a vida.
2.6.12
dia da criança
quando tiramos o curso de educadoras, nem imaginamos tudo aquilo que está para vir.
não imaginamos tudo aquilo de que não ouvimos falar e que nos vai aparecer pela frente. não imaginamos que os assuntos, que passamos ao de leve, são mesmo a vida das crianças, pela qual vamos também ser mesmo responsáveis. e não imaginamos que esses assuntos tenham mais importância do que aquela que lhes estamos a dar enquanto matéria de uma disciplina de faculdade. e a nossa maturidade dos 18, 19, 20 anos talvez não chegue mesmo para entender de que forma eles vão aparecer na nossa vida profissional. e de que forma vai mexer com a pessoa que nós somos também fora do nosso trabalho.
hoje, no dia da criança, tive de tomar uma decisão que espero,
muito sinceramente, que ajude uma criança a ser feliz.
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