2.6.12

dia da criança

quando tiramos o curso de educadoras, nem imaginamos tudo aquilo que está para vir. 
não imaginamos tudo aquilo de que não ouvimos falar e que nos vai aparecer pela frente. não imaginamos que os assuntos, que passamos ao de leve, são mesmo a vida das crianças, pela qual vamos também ser mesmo responsáveis. e não imaginamos que esses assuntos tenham mais importância do que aquela que lhes estamos a dar enquanto matéria de uma disciplina de faculdade. e a nossa maturidade dos 18, 19, 20 anos talvez não chegue mesmo para entender de que forma eles vão aparecer na nossa vida profissional. e de que forma vai mexer com a pessoa que nós somos também fora do nosso trabalho.

hoje, no dia da criança, tive de tomar uma decisão que espero,
 muito sinceramente, que ajude uma criança a ser feliz.

29.5.12

yatra



   yatra.


    uma viagem maravilhosa,
    em cena no teatro da malaposta.


    uma viagem de riso emocionado.
    tão simples.
    tão fundo.
    tão bonito.


    yatra.

25.5.12


e a partir de hoje, quero sempre ver a lua sobre a capital

22.5.12

home



(obrigada, L. há músicas que vêm no dia certo)

itália

    (umas horas depois da minha partida)

21.5.12

viagens

levam-me sempre a lugares novos.
dentro e fora de mim.
a lugares novos nunca conhecidos.
a lugares novos nos já conhecidos.

e por isso 
são sempre 
um encontro 
e um reencontro 
de muitos lugares.

como se todos os lugares existentes 
dentro da minha vida 
tivessem de se abrir e fechar
nascer e morrer 
para tudo se reorganizar.

no que sei e no que sinto.


12.5.12

há dias ...


há dias em que, sem querer, concretizamos um sonho 
que já nem nos lembrávamos de ter.

11.5.12

há meses


há meses pequenos 
para a quantidade de aventuras que temos para viver

6.5.12

poesia nas conversas

enquanto cortávamos papel sem fim para o trabalho da semana seguinte, íamos conversando sobre a vida e sobre nós. de onde somos, de onde sentimos que somos.

E. - nós somos da terra para onde vamos trabalhar.
C. - mas a E. não se cansa de falar da terra e até os olhos brilham quando fala da sua horta.
E. - pois é... pois é...
      (silêncio das tesouras a cortar)
E. - sabe, C., quando casei, tive de vir para Lisboa... e custou tanto. vir para o apartamento.
   quando fechava as persianas, até parece que se fechava tudo em mim. 
       (silêncio e tesouras paradas)
E. - era mesmo isso...

2.5.12

1 de Maio

para além disto e disto, a imagem que me veio imediatamente à cabeça foi a que criei quando li o "ensaio sobre a cegueira". de repente, senti-me num país limite, num desespero desmedido, como se, de facto, estivéssemos à beira do fim do mundo, desprovidos das nossas capacidades humanas e incapazes de medir as nossas acções. 

o que vale é que há sempre alguém que transforma estas más sensações em riso.

28.4.12

senta-te aí


Está na hora de ouvires o teu pai
Puxa para ti essa cadeira
Cada qual é que escolhe aonde vai
Hora-a-hora durante a vida inteira

Podes ter uma luta que é só tua
Ou então ir e vir com as marés
Se perderes a direcção da Lua
Olha a sombra que tens colada aos pés

Estou cansado, aceita o testemunho
Não tenho o teu caminho pra escrever
Tens que ser tu, com o teu próprio punho
Era isto que eu te queria dizer

Sou uma metade do que era
Com mais outro tanto de cidade
Vou-me embora que o coração não espera
À procura da mais velha metade


*


Rio Grande


25.4.12


"Quero poder olhar para trás e dizer: terei feito algumas asneiras, mas no conjunto posso partir, lá para onde for, com tranquilidade"

 miguel portas

24.4.12

e correu para nunca mais voltar

desfazia o muro com toda a sua raiva, com todo o seu ódio. numa explosão interior, esperneando, gritando, enlouquecendo na ânsia de conquistar a sua liberdade e a destruição total do muro sem que nada restasse que estivesse emuralhado. dentro de si nascia uma força sobrenatural muito maior do que o corpo que tinha. uma raiva. um ódio. desse muro. só desse muro. construído nos tempos sem tempo. nos tempo sem sentido de que já nem se lembrava e que não eram mais o seu mundo. dentro de si nascia uma força vinda das entranhas que se soltava em murros e gritos e raiva e loucura. e os gritos e a raiva e a loucura e esta tremenda força trouxeram-lhe os amigos de sempre e para sempre. também enraivecidos e loucos e desejosos de ver o muro desaparecido definitivamente, devolvendo a liberdade talvez nunca sentida. o muro explodiu, rexplodiu e recontraexplodiu. desfez-se em pó. sumiu. desapareceu no universo. o barulho gigantesco das explosões deu lugar ao barulho gigantesco dos gritos. da felicidade. dos abraços. da crença de que agora podia correr. e correu correu. e os amigos a gritar "vai! vai! o mundo é teu!" e correu, olhando para trás... e correu olhando para a frente. e correu sem medo para aquele lugar onde sempre queria ter estado. e correu para nunca mais voltar. correu para nunca-mais-voltar.

21.4.12

jantar

- anda. senta-te. tenho aqui uma sopinha e acabei de pôr a mesa e abrir o vinho tinto. não precisas de explicar nada, nem falar de nada se não te apetecer. é assim este jantar. para tu descansares. para estarmos por aqui. se te vierem as lágrimas aos olhos deixa-as vir. nem penses em pensar no que eu possa pensar. se te apetecer, chora sabes como sou a favor da chuva na altura certa para limpar tudo. mas se não te apetecer, não chores.  e se quiseres que fale de trivialidades, diz. sabes que sou boa nisso. e se quiseres que abra o coração para aliviar o teu, também o faço. vá, já chega. tu já sabes tudo. estás em casa. vou pôr uma musiquinha e podemos comer.
 
há pessoas em quem descansamos melhor do que em qualquer sofá. não porque digam coisas espectaculares. não porque tenham os conselhos adequados para cada tipo de situação. não porque tenham comprado a comida que gostamos mais. mas simplesmente porque sabemos que estão de braços abertos prontos a receber-nos de qualquer maneira. e é um privilégio ter pessoas assim à nossa volta.

17.4.12

atenção à escrita automática

hoje fiquei enternecida com uma mensagem que dizia:

"ainda tens o meu abraço?"

derreti-me.
poesia a meio do dia.

"claro que sim. tenho muitos. vai este agora por mensagem."

de resposta:

"hein?! ainda tens o meu casaco ou não?"

bom, afinal era prosa clarificativa. respondi que "sim" e voltei ao trabalho.

15.4.12

We all do what we can
So we can do just one more thing
We can all be free
Maybe not with words
Maybe not with a look
But with your mind


cat power, Maybe Not

13.4.12

Parto Sem Dor

e agora eu vou-me embora
e embora a dor
não queira ir já embora
agora eu vou-me embora
e parto sem dor

e parto dentro de momentos
apesar de haver momentos
em que dentro a dor
não parte sem dor

*

sérgio godinho

10.4.12

quadras para um amor simples


larga o peso, menina

não andes tão carregada
que te doem as costas
no fim da jornada

mais do que era preciso
mais do que era devido
larga o peso, tem juízo
e vai ter com o teu marido

ele é bom
tem coração
dá-lhe tu também
a mão

21.3.12


gosto de acabar o dia e saber que fiz a diferença na vida de alguém porque sei que é valioso alguém fazer a diferença no nosso dia.


20.3.12

percurso para uma avaliação

vai. faz devagarinho. se não te deram guião, faz de forma a que olhes e te vejas a ti. não te preocupes. sê persistente. dá o teu melhor. leva as ideias até ao fim. e, no fim, quando olhares para o resultado, sente que valeu a pena e que ficou o melhor de ti lá exposto. e depois dorme descansada e orgulhosa. vais merecer.

17.3.12


"ter sorte dá muito trabalho"


a 16 de março escrito no quadro da bela

13.3.12

às vezes devia ouvir o que digo

o A. queria saber o porquê daquela regra básica de uma sala de jardim de infância: "arrumar o que desarrumamos". ao explicar-lhe todas as vantagens, para a nossa vida social e pessoal ali dentro, de sabermos exactamente o lugar das coisas e de termos a certeza de que elas vão lá estar quando as procurarmos... ao explicar-lhe isto, fiquei estupefacta comigo mesma. como é que eu já sei isto há tanto tempo e insisto em não agir em conformidade? tão simples. arrumar o que desarrumamos. ora aí está! que tranquilidade. tão simples. [e para mim tão complexo.]
ora aí está. arrumar o que desarrumamos.

12.3.12

atenção


acabámos de desproibir o proibido



11.3.12

escritos de rajada IV

olhava para trás e era como se toda a sua vida tivesse sido escolhida por outros. por uma impossibilidade sua de se saber capaz de escolher [e no entanto sabia que tinha escolhido não escolher].
estava na hora de pôr os seus pés a caminho, por muito que lhe doessem de fazer os caminhos dos outros. estava na hora.

4.3.12

casas encontradas mais tarde no mesmo dia

3.

"Se nos perguntassem qual o benefício mais precioso da casa, diríamos: a casa abriga o devaneio, a casa protege o sonhador, a casa permite sonhar em paz."

Gaston Bachelard

de como casas e pessoas se misturam


1.
"o importante não é a casa onde moramos, mas onde em nós a casa mora"
Mia Couto


2.
"As pessoas moram nas casas, mas o contrário também é verdade: AS CASAS MORAM NAS PESSOAS.
(...)
Há um momento em que uma casa fica completamente vazia e outra se começa a encher com as nossas coisas. Tudo parece sempre muito desarrumado. Temos saudades da antiga casa, mas sabemos que já não podemos voltar para lá.
Ainda não sabemos bem onde pertencemos. Somos como uma varanda, com uma parte fora e outra dentro.
Só ao fim de algum tempo, quando nos dedicamos a cuidar da nova casa, é que começamos a conhecer-lhe os segredos e a descobrir o que a torna diferente da outra.
(...)
Não importa como seja, é essa casa que agora mora dentro de nós."

in onde moram as casas, Carla Maia Almeida