
24.1.12
19.1.12
basta
nem sempre é fácil pôr um "basta" naquilo que nos magoa. naquilo que nos revolve as entranhas. e que achamos quase irrealizável. ou porque achamos que temos de falar de determinada maneira. ou porque não queremos magoar quem está à volta. ou porque não encontramos a hora certa em que a conjuntura seja favorável. ou porque achamos que vai acabar por se resolver. ou porque esperamos que sejam os outros a mudar a situação. ou porque temos medo. ou porque nos sentimos menos importantes ou impotentes. uma data de porques. e depois, um dia, sai-nos de rompante pela boca fora e já está. assim. sem termos dado importância à conjuntura, às palavras, ao tom, à hora. era só preciso dizer do mais fundo de nós aquilo que sentíamos e darmos espaço à nossa voz. darmo-nos esse espaço de liberdade. e podermos respirar livremente. e, sim, devemos respirar livremente quando uma batalha destas nasce dentro de nós e a conseguimos fazer saltar cá para fora, para defender a nossa integridade.
13.1.12
its the end of the world as we know it (and I feel fine)
não é fantástico?
ser o fim do mundo como o conhecemos?
e estar tudo bem?
ser o fim do mundo como o conhecemos?
e estar tudo bem?
11.1.12
9.1.12
à minha árvore
8.1.12
o que vem na maré
"às vezes, não dizemos tudo o que se entrava na garganta.
falta volume na voz que faça maré e traga à areia o que nos move.
mas o oceano, que é vasto, das voltas que dá, trará sempre dum regresso, ou sopro, o que guarda."
(TdeF)
5.1.12
para 2012
beleza
música dança
brilho luz
risco risos
saltos palmas
gente espaço
engenho empenho
força coragem
liberdade
excelência
fogo paixão
(...)
música dança
brilho luz
risco risos
saltos palmas
gente espaço
engenho empenho
força coragem
liberdade
excelência
fogo paixão
(...)
alegria
30.12.11
100
naquele momento pequeno em que deixo a casa para ir de viagem rumo a 2012, não posso deixar de festejar com os tempos (s)em tempo o seu centenário de posts.
um brinde entre mim e todas as linhas escritas!
por mim, por quem cá esteve, por quem viveu nelas.
à saúde!
tchim tchim
por mim, por quem cá esteve, por quem viveu nelas.
à saúde!
tchim tchim
um imenso obrigada a 2011
Sinto em mim
Vento sinto em mim
sussurrar
o sopro do mar.
Frio sinto em mim
aquecer
meu entardecer.
Medo sinto em mim
de sentir
palavras mentir.
Ânsia sinto em mim
de viver
o mundo a correr.
Vida sinto em mim
acordar
na rua dançar.
Dança sinto em mim
seu vibrar
guitarra cantar.
Fogo sinto em mim
aquecer
teu corpo aquecer.
Sede sinto em mim
de beber
teu sangue a arder.
Sangue sinto em mim
a ferver
nas veias correr.
Força sinto em mim
a rasgar
meu peito gritar.
Alma sinto em mim
p’ra cantar
um grito no ar.
Fúria sinto em mim.
Flechas sinto em mim.
Mágoa sinto em mim.
Risos sinto em mim.
Força sinto em mim.
Horas sinto em mim.
(...)
Mler Ife Dada
29.12.11
belharacos
o natal deste ano foram os belharacos feitos com a mãe na cozinha da tia C. aquele momento em que levei o primeiro à boca e ele me trouxe ao paladar o sabor exacto dos belharacos da avó. o orgulho de ser eu a trazer a este natal aquele sabor que só a avó nos trazia. o sentimento de a saber também orgulhosa.
obrigada, mãe.
(nota: apesar de se escrever bilharacos na wikipedia, lá em casa sempre dissemos belharacos e por isso não consigo deixar de os escrever assim)
(nota: apesar de se escrever bilharacos na wikipedia, lá em casa sempre dissemos belharacos e por isso não consigo deixar de os escrever assim)
17.12.11
cesária évora
13.12.11
12.12.11
10.12.11
a paciência tem limites
o velho passeava o seu pequeno cão irritante. ela descia a rua da sua sessão semanal de compras. o velho andava calmamente observando a rua. ela trazia os sacos mais o guarda chuva, num ritmo compassado.
ao aproximar-se do cão e do velho, desviando-se, sorrindo, para não pisar o pequeno ser ridículo de quatro patas, vieram parar-lhe aos ouvidos os sons lascivos de um beijo largado para o ar e das palavras "também gostas, não gostas?" dirigidas ao cão. num acto reflexo, os sacos de compras voaram em direcção ao velho, que após cair, sentiu o seu olho direito perfurado com a ponta do guarda chuva.
depois de limpar a sua arma branca e cuspir de glória sobre o pequeno ser ridículo de duas patas, retomou o seu ritmo compassado de sacos de compras.
ao aproximar-se do cão e do velho, desviando-se, sorrindo, para não pisar o pequeno ser ridículo de quatro patas, vieram parar-lhe aos ouvidos os sons lascivos de um beijo largado para o ar e das palavras "também gostas, não gostas?" dirigidas ao cão. num acto reflexo, os sacos de compras voaram em direcção ao velho, que após cair, sentiu o seu olho direito perfurado com a ponta do guarda chuva.
depois de limpar a sua arma branca e cuspir de glória sobre o pequeno ser ridículo de duas patas, retomou o seu ritmo compassado de sacos de compras.
8.12.11
emaranhados
entrar correndo no emaranhado da vida
entrar correndo porque não o conseguimos de outra forma
entrar correndo por esses caminhos fora para além das cancelas
emaranharmo-nos nos dias
e em todos os espaços que percorremos
emaranharmo-nos uns nos outros
no que sentimos
no que sabemos
no que pensamos que sabemos
emaranharmo-nos em discussões
na falta de discussões
nos silêncios atordoantes
emaranharmo-nos até ao tutano
até descobrirmos qualquer coisa
até sabermos que fizemos tudo o que tínhamos para fazer
até...
até...
nos desemaranharmos
e seguirmos fluindo por aí fora.
entrar correndo porque não o conseguimos de outra forma
entrar correndo por esses caminhos fora para além das cancelas
emaranharmo-nos nos dias
e em todos os espaços que percorremos
emaranharmo-nos uns nos outros
no que sentimos
no que sabemos
no que pensamos que sabemos
emaranharmo-nos em discussões
na falta de discussões
nos silêncios atordoantes
emaranharmo-nos até ao tutano
até descobrirmos qualquer coisa
até sabermos que fizemos tudo o que tínhamos para fazer
até...
até...
nos desemaranharmos
e seguirmos fluindo por aí fora.
2.12.11
A.
antigamente pensava que no trabalho era fácil fazer amigos. que o trabalho serviria também para isso. para criar relações tão cúmplices e confiadas como as de amizade. que era possível a confiança total. depois fui descobrindo que as pessoas com quem trabalhamos têm um lugar específico na nossa vida e que nem todas queremos que façam parte dela. que algumas são mesmo para ficar naquele espaço. que nem todas trazem o coração aberto para as partilhas que nos saem pela boca fora em conversas informais. depois fui perdendo a ligeireza destas partilhas e tornei-me criteriosa. agora... agora surpreendo-me quando uma passa o espaço do trabalho e me vem parar à vida fora dele. ainda que não seja o espaço da amizade plena.
a A. tem idade para ser minha mãe. tem uma filha exactamente da minha idade. com muitos gostos parecidos com os meus. também a A. tem alguns gostos parecidos com os meus. daqueles que não têm idade.
- todos os anos penso em ir ao gospel, mas nunca tenho companhia - dizia um destes dias.
- este ano pode ir ver-me A., eu guardo um convite para si e um lugar bem perto do coro.
ficámos ambas contentes. ela por ir ao gospel. eu por tê-la a ver-me.
(...)
hoje, no regresso a casa, descobri o anúncio do coro que anualmente a A. quer ir ver e, de repente, acabou-se o espaço da escola.
- A., ligo-lhe para lhe dizer que estou a ver um anúncio e que, se ainda quiser, vamos juntas ao coliseu.
quando desliguei o telefone tive a certeza de que tinha acabado de oferecer uma das melhores prendas de natal que a A. já teve e a comoção dela deixou-me a mim também comovida.
nem sempre fazemos amigos no trabalho, é certo, mas é maravilhoso quando conseguimos redescobrir e transformar as relações que criamos dentro dele.
a A. tem idade para ser minha mãe. tem uma filha exactamente da minha idade. com muitos gostos parecidos com os meus. também a A. tem alguns gostos parecidos com os meus. daqueles que não têm idade.
- todos os anos penso em ir ao gospel, mas nunca tenho companhia - dizia um destes dias.
- este ano pode ir ver-me A., eu guardo um convite para si e um lugar bem perto do coro.
ficámos ambas contentes. ela por ir ao gospel. eu por tê-la a ver-me.
(...)
hoje, no regresso a casa, descobri o anúncio do coro que anualmente a A. quer ir ver e, de repente, acabou-se o espaço da escola.
- A., ligo-lhe para lhe dizer que estou a ver um anúncio e que, se ainda quiser, vamos juntas ao coliseu.
quando desliguei o telefone tive a certeza de que tinha acabado de oferecer uma das melhores prendas de natal que a A. já teve e a comoção dela deixou-me a mim também comovida.
nem sempre fazemos amigos no trabalho, é certo, mas é maravilhoso quando conseguimos redescobrir e transformar as relações que criamos dentro dele.
26.11.11
tristeza e alegria na vida das girafas
de Tiago Rodriguesqui 24,
sex 25,
sáb 26
de novembro.
culturgest,
grande auditório
não consegui encontrar nada escrito sobre este espectáculo que usasse as palavras que me vieram a entorpecer as pernas no regresso a casa e que não consigo usar também.
em nenhum lado aparece o que a vida e a aventura daquela miúda de 9 anos me trouxeram de familiar e que foi para onde os meus sentidos estiveram sempre a olhar.
o riso e a angústia a misturarem-se no mesmo lugar do grande auditório.
um fio maravilhoso de emoções indizíveis entre mim e aquele palco.
(e hoje ainda há)
em nenhum lado aparece o que a vida e a aventura daquela miúda de 9 anos me trouxeram de familiar e que foi para onde os meus sentidos estiveram sempre a olhar.
o riso e a angústia a misturarem-se no mesmo lugar do grande auditório.
um fio maravilhoso de emoções indizíveis entre mim e aquele palco.
(e hoje ainda há)
21.11.11
rugas
tinha cabelos brancos já há algum tempo. a isso já se tinha habituado. tinham crescido lentamente e tinha dado conta da sua evolução. e, como teve o primeiro aos dezasseis anos, era como se não fizessem parte do tempo. mas as rugas... aquelas rugas na face a marcarem o sorriso parecia que lhe tinham sido cravadas durante o sono. àquela na testa dava o desconto por estar sempre atrás da franja e talvez lhe tivesse passado despercebida. mas as da face... essas tinham sido postas lá durante a noite. só podia ser. e por isso ainda não se tinha afeiçoado a elas. mas, bom, também não tinha dúvidas de que isso lhe aconteceria e iria gostar que lhe marcassem o sorriso.
rugas...
¨
rugas...
¨
14.11.11
13.11.11
aos encontros, desencontros e reencontros
hoje, muito especialmente ao m.
(para ouvir)
– Olá! Como vai?
– Eu vou indo. E você, tudo bem?
– Tudo bem! Eu vou indo, correndo pegar meu lugar no futuro... E você?
– Tudo bem! Eu vou indo, em busca de um sono tranqüilo... Quem sabe?
– Quanto tempo!
– Pois é, quanto tempo!
– Me perdoe a pressa - é a alma dos nossos negócios!
– Qual, não tem de quê! Eu também só ando a cem!
– Quando é que você telefona? Precisamos nos ver por aí!
– Pra semana, prometo, talvez nos vejamos...Quem sabe?
– Quanto tempo!
– Pois é...quanto tempo!
– Tanta coisa que eu tinha a dizer, mas eu sumi na poeira das ruas...
– Eu também tenho algo a dizer, mas me foge à lembrança!
– Por favor, telefone - Eu preciso beber alguma coisa, rapidamente...
– Pra semana...
– O sinal...
– Eu procuro você...
– Vai abrir, vai abrir...
– Eu prometo, não esqueço, não esqueço...
– Por favor, não esqueça, não esqueça...
– Adeus!
– Adeus!
– Adeus!
sinal fechado, Chico Buarque
12.11.11
sábados de manhã
tenho um café* de eleição para os sábados de manhã de outono-inverno, onde fico tanto tempo à espera do pedido que consigo apropriar-me do espaço e sentir-me no prolongamento da minha casa. posso ler, escrever, perder-me nos meus pensamentos, observar pessoas e sei lá mais o quê.
hoje, nessas minhas visitas matinais àquele espaço, pensava como são fabulosos os sábados de manhã. como tudo acontece sem tempo, sem pressa, ainda com a perspectiva de um fim de semana imenso pela frente. como se todas as obrigações não fossem urgentes, mas sim importantes e a não esquecer. como se o mundo se organizasse para todos podermos respirar.
é uma prenda semanal, o sábado de manhã.
foi por onde andaram os meus pensamentos, hoje, naquele café.
hoje, nessas minhas visitas matinais àquele espaço, pensava como são fabulosos os sábados de manhã. como tudo acontece sem tempo, sem pressa, ainda com a perspectiva de um fim de semana imenso pela frente. como se todas as obrigações não fossem urgentes, mas sim importantes e a não esquecer. como se o mundo se organizasse para todos podermos respirar.
é uma prenda semanal, o sábado de manhã.
foi por onde andaram os meus pensamentos, hoje, naquele café.
6.11.11
sunday smile
A Sunday Smile
All I want is the best for our lives my dear,
and you know my wishes are sincere.
What's to say for the days I cannot bear
beirut
All I want is the best for our lives my dear,
and you know my wishes are sincere.
What's to say for the days I cannot bear
beirut
4.11.11
emoções
é tão bom [às vezes] não ser comida pelas emoções e não deixar que elas me turvem a visão do que me aparece pela frente.
deixa-me espaço para as sentir mas actuar em concordância com o que o momento exige.
deixa-me espaço para as sentir mas actuar em concordância com o que o momento exige.
2.11.11
1 de novembro
não me sinto parte da igreja católica ou da maior parte dos seus rituais, mas sempre vivi rodeada dela e deles. a avó B. que era a crente lá de casa. o tio M. que casava e baptizava a família toda e rezava antes de qualquer refeição conjunta. os avós, as tias, os tios. o padrinho que também é padre e continua a rezar por mim. a pascoela. as missas de tudo e mais alguma coisa.
sempre tive assim a religião muito próxima e passei pelos mais diversos sentimentos e pensamentos acerca dessa proximidade. quis ser parte, quis destruir, quis culpar, quis acreditar, quis de tudo um pouco.
de tanta proximidade, ficaram-me uns quantos momentos que passam além de toda a religião ou possível crença e que preservo pela quantidade de humanidade e afectividade que me trazem.
dia 1 de novembro. dia de ir ao cemitério ver a família e ouvir histórias da minha História. este ano uma visita especial à avó B. que ganhou um lugar novo, cheio de história.
sempre tive assim a religião muito próxima e passei pelos mais diversos sentimentos e pensamentos acerca dessa proximidade. quis ser parte, quis destruir, quis culpar, quis acreditar, quis de tudo um pouco.
de tanta proximidade, ficaram-me uns quantos momentos que passam além de toda a religião ou possível crença e que preservo pela quantidade de humanidade e afectividade que me trazem.
dia 1 de novembro. dia de ir ao cemitério ver a família e ouvir histórias da minha História. este ano uma visita especial à avó B. que ganhou um lugar novo, cheio de história.
30.10.11
19.10.11
hora de almoço
pousou a chávena e, depois de engolir o último gole de café e suspirar, disse com a voz embargada:
- nunca sabemos se o amor que demos era o amor que precisavam.
fez uma pausa.
- mas, também, não podemos dar mais amor do que aquele que sabemos, não é?
a resposta ficou naquele silêncio cúmplice do fim daquela hora de almoço.
17.10.11
conquistas
"- ai, eu não! credo! eu não consigo! ui! até me vêem as lágrimas aos olhos!
nem pensar!" -
- dizia, com arrepio na voz, sempre que falavam nisso.
nem pensar!" -
- dizia, com arrepio na voz, sempre que falavam nisso.
e eis que, assim, sem mais nem para quê, num fim de dia,
afinal consegue.
- e nem uma lágrima.
tornar-se-iam assim simples as suas conquistas?
afinal consegue.
- e nem uma lágrima.
tornar-se-iam assim simples as suas conquistas?
11.10.11
os dias mais pequenos
os dias vão ficando mais pequeninos e o regresso a casa, feito já quase de noite, faz parecer que o dia acabou. ainda há bem pouco tempo, estas mesmas horas, a que os meus pés se encaminham para casa, pareciam ter pela frente tanto para viver. e é engraçado, como me esqueço sempre disto de ano para ano e há uma nostalgia que se repete sempre.
espero não me esquecer do que acontece [sempre] quando chega o momento da mudança da hora.
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