13.11.11

aos encontros, desencontros e reencontros

hoje, muito especialmente ao m.

(para ouvir)

– Olá! Como vai?

– Eu vou indo. E você, tudo bem?
– Tudo bem! Eu vou indo, correndo pegar meu lugar no futuro... E você?
– Tudo bem! Eu vou indo, em busca de um sono tranqüilo... Quem sabe?
– Quanto tempo!
– Pois é, quanto tempo!
– Me perdoe a pressa - é a alma dos nossos negócios!
– Qual, não tem de quê! Eu também só ando a cem!
– Quando é que você telefona? Precisamos nos ver por aí!
– Pra semana, prometo, talvez nos vejamos...Quem sabe?
– Quanto tempo!
– Pois é...quanto tempo!
– Tanta coisa que eu tinha a dizer, mas eu sumi na poeira das ruas...
– Eu também tenho algo a dizer, mas me foge à lembrança!
– Por favor, telefone - Eu preciso beber alguma coisa, rapidamente...
– Pra semana...
– O sinal...
– Eu procuro você...
– Vai abrir, vai abrir...
– Eu prometo, não esqueço, não esqueço...
– Por favor, não esqueça, não esqueça...
– Adeus!
– Adeus!
– Adeus!

sinal fechado, Chico Buarque

12.11.11

sábados de manhã

tenho um café* de eleição para os sábados de manhã de outono-inverno, onde fico tanto tempo à espera do pedido que consigo apropriar-me do espaço e sentir-me no prolongamento da minha casa. posso ler, escrever, perder-me nos meus pensamentos, observar pessoas e sei lá mais o quê.
hoje, nessas minhas visitas matinais àquele espaço, pensava como são fabulosos os sábados de manhã. como tudo acontece sem tempo, sem pressa, ainda com a perspectiva de um fim de semana imenso pela frente. como se todas as obrigações não fossem urgentes, mas sim importantes e a não esquecer. como se o mundo se organizasse para todos podermos respirar.

é uma prenda semanal, o sábado de manhã.
foi por onde andaram os meus pensamentos, hoje, naquele café.

6.11.11

sunday smile

A Sunday Smile


All I want is the best for our lives my dear,
and you know my wishes are sincere.
What's to say for the days I cannot bear

beirut

4.11.11

emoções

é tão bom [às vezes] não ser comida pelas emoções e não deixar que elas me turvem a visão do que me aparece pela frente.
deixa-me espaço para as sentir mas actuar em concordância com o que o momento exige.

2.11.11

1 de novembro

não me sinto parte da igreja católica ou da maior parte dos seus rituais, mas sempre vivi rodeada dela e deles. a avó B. que era a crente lá de casa. o tio M. que casava e baptizava a família toda e rezava antes de qualquer refeição conjunta. os avós, as tias, os tios. o padrinho que também é padre e continua a rezar por mim. a pascoela. as missas de tudo e mais alguma coisa.
sempre tive assim a religião muito próxima e passei pelos mais diversos sentimentos e pensamentos acerca dessa proximidade. quis ser parte, quis destruir, quis culpar, quis acreditar, quis de tudo um pouco.

de tanta proximidade, ficaram-me uns quantos momentos que passam além de toda a religião ou possível crença e que preservo pela quantidade de humanidade e afectividade que me trazem.


dia 1 de novembro
. dia de ir ao cemitério ver a família e ouvir histórias da minha História. este ano uma visita especial à avó B. que ganhou um lugar novo, cheio de história.

19.10.11

hora de almoço


pousou a chávena e, depois de engolir o último gole de café e suspirar, disse com a voz embargada:
- nunca sabemos se o amor que demos era o amor que precisavam.
fez uma pausa.
- mas, também, não podemos dar mais amor do que aquele que sabemos, não é?
a resposta ficou naquele silêncio cúmplice do fim daquela hora de almoço.

17.10.11

conquistas

"- ai, eu não! credo! eu não consigo! ui! até me vêem as lágrimas aos olhos!
nem pensar!
" -
- dizia, com arrepio na voz, sempre que falavam nisso.


e eis que, assim, sem mais nem para quê, num fim de dia,
afinal consegue.

- e nem uma lágrima.

tornar-se-iam assim simples as suas conquistas?

músicas



que descubro depois de toda a gente.

11.10.11

os dias mais pequenos

os dias vão ficando mais pequeninos e o regresso a casa, feito já quase de noite, faz parecer que o dia acabou. ainda há bem pouco tempo, estas mesmas horas, a que os meus pés se encaminham para casa, pareciam ter pela frente tanto para viver. e é engraçado, como me esqueço sempre disto de ano para ano e há uma nostalgia que se repete sempre.
espero não me esquecer do que acontece [sempre] quando chega o momento da mudança da hora.

29.9.11

tempo parado


quando os quartos ficam vazios
o nosso coração pede uma paragem no tempo
para nos despedirmos do que acabou de ficar lá para trás.
só depois dessa paragem
é que conseguimos voltar a entrar nos quartos
e pensar na sua nova vida.

(hoje peço ao tempo que pare um bocadinho, embora saiba do difícil que isso é para ele)


25.9.11

la mujer salvaje

"(...) como una criatura salvaje que olfacta una cosa y la husmea por arriba, por abajo y por todas partes para averiguar lo que es, la mujer es libre de buscar las verdaderas respuestas a sus más profundas y oscuras preguntas. Y es libre de arrancarle los poderes a la cosa que la ha atacado y de transformar estos poderes que antes se habían utilizado contra ella en su proprio beneficio. Eso es la mujer salvaje."

Mujeres que corren con los lobos, Clarissa Pinkola Estés

24.9.11

ao senhor cândido

lembro-me de si, senhor cândido. na minha infância.
o dono do tractor que me levava aos campos e me dava a liberdade das tardes tão perto da terra. tão perto do que era realmente importante.
todo o cuidado que me era dado por entre as batatas e as enxadas e as vacas por ordenhar.
lembro-me de si, senhor cândido. na minha infância.
e ficará sempre aí, nesse canto da memória que guardo com carinho.

20.9.11

30 anos



há 30 anos
há precisamente 30 anos

15.9.11

roda viva

um amigo guarda duas horas do seu dia para nós.
um menino não volta a casa no fim do dia.
uma mulher abraça-nos com uma boa notícia.
outra mulher morre meses depois do marido ter morrido.
um amigo partilha-nos as suas dúvidas.
um irmão leva-nos a ir ao cinema sozinhos pela primeira vez.
uma amiga diz-nos que estamos mais bonitas do que nunca.
um espaço prepara-se para ser visitado pela última vez.

uma visita diz-nos que a nossa casa é maravilhosa.
uma barata gigante entra-nos pela janela da varanda.

tem-me percorrido esta ideia da vida ser mesmo imensa
de não sabermos mesmo de que maneira os dias nos vão acontecer
e de ser tão precioso encontrarmos um espaço nosso onde colocar toda esta roda viva.

12.9.11

há dias XXIII


há dias em que um grande amigo partilha a paz encontrada
e nos devolve um pouco da nossa paz.

(obrigada T.)

7.9.11

espaço (d)e tempo


passaram três eléctricos mas os meus passos recusaram-se a parar e a desaproveitar a noite clara que nasceu entretanto. a cidade desfilava e eu desfilava com ela, como se ambas nos tivéssemos feito bonitas para a passeata. a esplanada vista do outro lado. as luzes a acender no príncipe real. beirut no chiado. o miradouro das portas do sol com a lua por cima. as luzes da margem sul brilhantes no tejo. o mosteiro de são vicente de fora imponente por entre a malha de telhados. a brisa. sempre a brisa. e o calor da caminhada e da noite. por entre os pensamentos a amiga acabada de deixar e a imensidão que é a vida e como temos mesmo de ter uns braços muito abertos para a receber.

3.9.11

mesquinhez

estava ali na sua frente e acabara de lhe fazer uma confissão.
na sua cabeça e no seu peito nascia um sentimento mesquinho que não queria que a invadisse. aquele que lhe tinham ensinado que era feio e que só com o tempo foi percebendo porque era feio.
empurrou-o para o lado e puxou do mais fundo de si toda a possibilidade de continuar uma conversa agradável como até então. e ali ficaram por mais algum tempo, com a confissão já em segundo plano e a mesquinhez posta de lado.
mas mal os corpos se afastaram na despedida, toda a mesquinhez voltou e a confissão martelou a sua cabeça mais uma vez.
não havia como fugir.
a mesquinhez invadia-a.
fazia parte de si.
não podia evitar.

deixou-se invadir.

e a mesquinhez,
ao invadi-la,
evadiu-se.

2.9.11


e assim começa o setembro a parecer dezembro.

31.7.11

lixo da terra


(daqui)

amanhã entrarei no lixo.
é a única forma de chegar onde quero.

boas férias!

25.7.11

há dias XXII


"há dias em que o tempo não interessa.
há dias em que o tempo é de festa."

(ns fm jl sm rl th)


há dias tão grandes como os da infância



Anexo:
(no pátio da casa de infância)
ela - lembras-te quando fazíamos a nossa festa de anos juntos aqui no lombomeão?
ele - festas de anos juntos?!?!?
(olhar fixo no iPad)
ela - enchíamos a casa de amigos dos dois, brincávamos o dia todo... se calhar era só à tarde, mas parecia o dia todo. eram dias imensos. lembras-te?
ele - hmm...
ela - eu adorava. brincava tanto. e sentia-me tão feliz de ter a família e os amigos todos juntos. os nossos amigos todos misturados.
tu tinhas vergonha de mim. lembras-te?
ele - não estou a ver...

(...)
ela - não era tão bom voltarmos a fazer uma festa assim os dois? com os nossos amigos, com os pais, com os tios e o bidito - agora já com mulher e filha?
ele - era era...

ela - podíamos fazer isso este ano...

ele - ou então quando tu fizeres quarenta!

ela - oh!, era tão bom. pensa lá bem.

ele - achas que os nossos amigos vão andar 300 kms só para vir à nossa festa de anos!

ela - os amigos são assim... não são? (insegura)

ele - deixa-me que tenho uma entrega.

(...)
ela - olha, eu já decidi. vamos mesmo fazer esta festa!
ele - qual festa?

ela - a nossa festa de anos no lombomeão.

ele - isso até pode ser u
ma boa ideia (entre dentes) é capaz de ser porreiro. (a meia voz) mas tem que estar tudo muito bem organizado. (em tom impositivo)
ela - a sério?

ele - sim.

ela - yeaaaaah! (aos pulos e batendo palmas ao mesmo tempo) já te
estás a sentir lamechas agora não é? :) (pendurando-se abraçada a ele)
ele - larga-me, olha o iPad!

(...)
ela - achas que vem alguém? (insegura)
ele - claro! todos!

g. e c.

20.7.11


"porque antes de tudo e depois de tudo está o amor."

a 16 de Julho escrito no quadro da Bela.

18.7.11

prendas surpreendentes II


obrigada a todos os que comeram os sapinhos, tocaram a maraca, cheiraram as flores, leram as catatuas, cobiçaram a 33cl, admiraram o gira-discos, trouxeram comes e bebes, deram muitos dedos de conversa, chegaram ofegantes, passeantes, delirantes, abraçaram, escreveram, cantaram, dormiram, ficaram para as últimas fotografias...


obrigada a todos.
foi uma maravilhosa prenda a tarde de ontem.

15.7.11

uma questão de nome


"não me chamo eu C. C., se não acabo tudo até sexta"
e como não quero mesmo perder o nome
"meu dito, meu feito"


11.7.11

um dia

acorda-se e desata-se a querer concretizar os sonhos e dar corpo e vida às imagens formadas no ar fora de nós durante horas e horas de sono sem sono de viagens solitárias de esperas por alguém ou por autocarros combóios...