3.9.11

mesquinhez

estava ali na sua frente e acabara de lhe fazer uma confissão.
na sua cabeça e no seu peito nascia um sentimento mesquinho que não queria que a invadisse. aquele que lhe tinham ensinado que era feio e que só com o tempo foi percebendo porque era feio.
empurrou-o para o lado e puxou do mais fundo de si toda a possibilidade de continuar uma conversa agradável como até então. e ali ficaram por mais algum tempo, com a confissão já em segundo plano e a mesquinhez posta de lado.
mas mal os corpos se afastaram na despedida, toda a mesquinhez voltou e a confissão martelou a sua cabeça mais uma vez.
não havia como fugir.
a mesquinhez invadia-a.
fazia parte de si.
não podia evitar.

deixou-se invadir.

e a mesquinhez,
ao invadi-la,
evadiu-se.

2.9.11


e assim começa o setembro a parecer dezembro.

31.7.11

lixo da terra


(daqui)

amanhã entrarei no lixo.
é a única forma de chegar onde quero.

boas férias!

25.7.11

há dias XXII


"há dias em que o tempo não interessa.
há dias em que o tempo é de festa."

(ns fm jl sm rl th)


há dias tão grandes como os da infância



Anexo:
(no pátio da casa de infância)
ela - lembras-te quando fazíamos a nossa festa de anos juntos aqui no lombomeão?
ele - festas de anos juntos?!?!?
(olhar fixo no iPad)
ela - enchíamos a casa de amigos dos dois, brincávamos o dia todo... se calhar era só à tarde, mas parecia o dia todo. eram dias imensos. lembras-te?
ele - hmm...
ela - eu adorava. brincava tanto. e sentia-me tão feliz de ter a família e os amigos todos juntos. os nossos amigos todos misturados.
tu tinhas vergonha de mim. lembras-te?
ele - não estou a ver...

(...)
ela - não era tão bom voltarmos a fazer uma festa assim os dois? com os nossos amigos, com os pais, com os tios e o bidito - agora já com mulher e filha?
ele - era era...

ela - podíamos fazer isso este ano...

ele - ou então quando tu fizeres quarenta!

ela - oh!, era tão bom. pensa lá bem.

ele - achas que os nossos amigos vão andar 300 kms só para vir à nossa festa de anos!

ela - os amigos são assim... não são? (insegura)

ele - deixa-me que tenho uma entrega.

(...)
ela - olha, eu já decidi. vamos mesmo fazer esta festa!
ele - qual festa?

ela - a nossa festa de anos no lombomeão.

ele - isso até pode ser u
ma boa ideia (entre dentes) é capaz de ser porreiro. (a meia voz) mas tem que estar tudo muito bem organizado. (em tom impositivo)
ela - a sério?

ele - sim.

ela - yeaaaaah! (aos pulos e batendo palmas ao mesmo tempo) já te
estás a sentir lamechas agora não é? :) (pendurando-se abraçada a ele)
ele - larga-me, olha o iPad!

(...)
ela - achas que vem alguém? (insegura)
ele - claro! todos!

g. e c.

20.7.11


"porque antes de tudo e depois de tudo está o amor."

a 16 de Julho escrito no quadro da Bela.

18.7.11

prendas surpreendentes II


obrigada a todos os que comeram os sapinhos, tocaram a maraca, cheiraram as flores, leram as catatuas, cobiçaram a 33cl, admiraram o gira-discos, trouxeram comes e bebes, deram muitos dedos de conversa, chegaram ofegantes, passeantes, delirantes, abraçaram, escreveram, cantaram, dormiram, ficaram para as últimas fotografias...


obrigada a todos.
foi uma maravilhosa prenda a tarde de ontem.

15.7.11

uma questão de nome


"não me chamo eu C. C., se não acabo tudo até sexta"
e como não quero mesmo perder o nome
"meu dito, meu feito"


11.7.11

um dia

acorda-se e desata-se a querer concretizar os sonhos e dar corpo e vida às imagens formadas no ar fora de nós durante horas e horas de sono sem sono de viagens solitárias de esperas por alguém ou por autocarros combóios...

10.7.11

esplanadas de verão

sem um com licença, sem um boa tarde, sem um gesto que demonstrasse perceber que a mesa estava ocupada ou que estava ali alguém, sentou-se e recebeu os caracóis pedidos. comeu-os de uma vez só, sem um único trago da cerveja, pela qual esperou para iniciar o repasto. a mim calhou-me o riso do inesperado e da surpresa. nem um caracol, nem um trago na cerveja. nadinha. a única interacção deu-se já quando me levantei para ir embora. não usei nenhum palito! e o seu olhar estava fixo no prato. a mim calhou-me de novo o riso.

30.6.11

spam

"Bom dia,

O Verão está a chegar e a ProAtlântico não se esqueceu de ti, vamos realizar vários intercâmbios Europeus dirigidos a jovens dos 13 aos 30 anos.

Os projectos deste ano

(blá blá blá...)

Não percas tempo, inscreve-te já!!!!!

blá blá blá blá..."



como é que eu fui parar a esta mailinglist?

que gozo é este dos jovens dos 13 aos 30 anos?

como não se esqueceram de mim se nem se lembram da minha idade?

como não perco tempo?


por favor!!

spam

(e o verão já chegou)

29.6.11

o M. vai-se casar


Tamanho do tipo de letrao P. já se casou
e o T. já se ajuntou.

que grandes!!

27.6.11

26.6.11

Visualizações de páginas por país


Portugal
1 608




Reino Unido
55
Estados Unidos
9


França
5
Brasil
3
Alemanha
3
Holanda
3
Espanha
2
Itália
2
República Tcheca
1



Espantoso!!
quem são estas pessoas?

17.6.11

salta salta

João Lóio - 11 - Salta, salta by cristinactx

há saltos que saltam de um post para um conversa para uma música para outro post

perdi

e fiquei só a ver as imagens

15.6.11

há dias XXI


há dias em que o universo se organiza para nos ajudar a tomar decisões
e embala o nosso cansaço.



14.6.11

salta!

salta!
salta!
salta agora!

vá!

salta!
é tão bom!
(tu sabes)

já conseguiste chegar à beirinha da pedra!
já estás mesmo à beirinha!
agora é só saltar!

tens o mar todo à tua espera lá em baixo!!
vai!!

é agora!
força!

salta!

(fico a festejar e ver-me-às quando a tua cabeça sair de dentro da água)

viagens

12.6.11

pontes

aquela ponte estava velha. já não passavam carros, bicicletas ou pessoas. estava lá apenas e já só preenchia a paisagem de memórias. uns metros à frente tinham construído a ponte nova. mais moderna e de betão. a que podia agora ser usada em segurança e com maior eficácia. a velha ponte foi apodrecendo. ali ao lado. perante a negligência de todos os que passam pela nova. e as memórias deram lugar a um monumento apodrecido, empobrecido.

penso nas pontes como as linhas que nos ligam uns aos outros e no cuidado que devemos ter para não as deixarmos apodrecer. caso apodreçam sem que nos apercebamos, devemos sempre transformá-las e deixá-las como um lugar para o qual possamos olhar desafogadamente sem ter de esconder os olhos para não termos vergonha da paisagem.

9.6.11


era como se as estradas antigas já não servissem para andar.


1.6.11

13 Jan 2005, Avencas, com o M.

Afazeres
  • Transferência para o pai
  • Fazer simulações de empréstimos
  • Cartão TMN
  • Fazer o cachecol da Joana
  • Escrever cartas
  • Cheirar bem todos os dias
  • - lavar roupa sempre
  • - pôr colónia
  • Ler pelo menos uma boa frase todos os dias
  • Fazer o papel para escrever os afazeres
  • Decidir o que fazer aos vales FNAC
  • Escrever aos barcelónicos

("Uma agenda serve para a gente não se esquecer do que tem para fazer e para não se esquecer do que fez... que memória tão curta que temos!" M.)

28.5.11

brincar aos haikus


Um passarinho

Canta à desgarrada

Felicidade


Um senhor gordo

Fala à sua noivinha

Põe-se ali o sol


Cães violentos

Correm pela avenida

A vida é breve



26.5.11

é mesmo uma selva de vez em quando este mundo louco ainda bem que fiz nascer um jardim na varanda deste quinto andar para poder lá estar ou imaginar que lá estou quando preciso de descansar