há saltos que saltam de um post para um conversa para uma música para outro post
17.6.11
15.6.11
há dias XXI
há dias em que o universo se organiza para nos ajudar a tomar decisões
e embala o nosso cansaço.
14.6.11
salta!
salta!
salta!
salta agora!
vá!
salta!
é tão bom!
(tu sabes)
já conseguiste chegar à beirinha da pedra!
já estás mesmo à beirinha!
agora é só saltar!
tens o mar todo à tua espera lá em baixo!!
vai!!
é agora!
força!
salta!
(fico a festejar e ver-me-às quando a tua cabeça sair de dentro da água)
salta!
salta agora!
vá!
salta!
é tão bom!
(tu sabes)
já conseguiste chegar à beirinha da pedra!
já estás mesmo à beirinha!
agora é só saltar!
tens o mar todo à tua espera lá em baixo!!
vai!!
é agora!
força!
salta!
(fico a festejar e ver-me-às quando a tua cabeça sair de dentro da água)
12.6.11
pontes
aquela ponte estava velha. já não passavam carros, bicicletas ou pessoas. estava lá apenas e já só preenchia a paisagem de memórias. uns metros à frente tinham construído a ponte nova. mais moderna e de betão. a que podia agora ser usada em segurança e com maior eficácia. a velha ponte foi apodrecendo. ali ao lado. perante a negligência de todos os que passam pela nova. e as memórias deram lugar a um monumento apodrecido, empobrecido.
penso nas pontes como as linhas que nos ligam uns aos outros e no cuidado que devemos ter para não as deixarmos apodrecer. caso apodreçam sem que nos apercebamos, devemos sempre transformá-las e deixá-las como um lugar para o qual possamos olhar desafogadamente sem ter de esconder os olhos para não termos vergonha da paisagem.
9.6.11
5.6.11
1.6.11
13 Jan 2005, Avencas, com o M.
Afazeres
- Transferência para o pai
- Fazer simulações de empréstimos
- Cartão TMN
- Fazer o cachecol da Joana
- Escrever cartas
- Cheirar bem todos os dias
- - lavar roupa sempre
- - pôr colónia
- Ler pelo menos uma boa frase todos os dias
- Fazer o papel para escrever os afazeres
- Decidir o que fazer aos vales FNAC
- Escrever aos barcelónicos
("Uma agenda serve para a gente não se esquecer do que tem para fazer e para não se esquecer do que fez... que memória tão curta que temos!" M.)
28.5.11
brincar aos haikus
Um passarinho
Canta à desgarrada
Felicidade
Um senhor gordo
Fala à sua noivinha
Põe-se ali o sol
Cães violentos
Correm pela avenida
A vida é breve
26.5.11
24.5.11
22.5.11
o teatro municipal
quando eu era pequenina, participava nos saraus de música e de ballet das (respectivas) escolas a que pertencia. era um acontecimento: nesse dia, tínhamos a oportunidade de pisar o palco do teatro municipal e estar perante uma plateia enorme que ali estava para nos ver e ouvir. era um orgulho imenso. dias muito especiais. o teatro era enorme e eu tinha esse sentimento de ser enorme também. a plateia era enorme e só ficava um bocadinho mais pequena depois de localizar o pai e a mãe. o nervosismo era enorme e proporcional à satisfação do fim do dia. e tudo era tão enorme que os anos foram passando e a memória também ficou assim guardada de dias, espaços e emoções enormes.
ontem, voltei a entrar no teatro municipal. já não para a festa de fim de ano de nenhuma escola de música ou dança, mas para fazer parte da plateia. levava uma forte emoção de estar de novo a entrar num espaço de memória e, enquanto esperava e reconhecia alguns dos rostos à minha volta e os tentava localizar no tempo, pensava em como a tinha guardada. os camarins por onde corria de um lado para o outro numa euforia característica, o espaço antes das cortinas onde esperava a minha vez e espreitava às escondidas, as entradas sorridentes com o tutu que me fazia sentir tão menina, a ansiedade de encontrar alguém conhecido a ver-me na plateia, o nervosismo para não me enganar, a vontade de rir desse mesmo nervosismo. sentia-me, enquanto esperava, de visita ao meu próprio passado e senti um gosto imenso de estar a revisitar tudo isto e uma curiosidade imensa de saber do espaço para lá das portas.
abriram-nas finalmente e eu segui a fila dos lugares ímpares. quando entrei na sala a minha memória deu saltos rápidos entre o passado e o presente. bem rápidos. a minha memória não reconheceu o espaço. tinha havido obras, eu sabia, e tudo estava diferente e tudo era muito mais pequeno do que a minha memória guardava. atravessei a sala dum lado ao outro num instante e não quis acreditar que aquele salão da minha infância era ,e sempre tinha sido afinal, só esta sala. no palco, o homem para quem dei os meus primeiros passos, apresentava o primeiro painel. também ele mais pequeno do que eu me lembrava.
à noite, ainda guardava estas imagens e a sensação espacial e temporal do teatro estar diferente e de eu própria estar também diferente. garantiram-me que o teatro não estava mais pequeno, apesar das obras. e que, sim, eu é que tinha crescido.
talvez eu tenha crescido só uns quarenta centímetros desde essa altura, mas o teatro municipal diminui muitos e muitos metros.
vou guardar a memória da infância. a enormidade da sala e da sensação. é esse o teatro que vou guardar para sempre.
ontem, voltei a entrar no teatro municipal. já não para a festa de fim de ano de nenhuma escola de música ou dança, mas para fazer parte da plateia. levava uma forte emoção de estar de novo a entrar num espaço de memória e, enquanto esperava e reconhecia alguns dos rostos à minha volta e os tentava localizar no tempo, pensava em como a tinha guardada. os camarins por onde corria de um lado para o outro numa euforia característica, o espaço antes das cortinas onde esperava a minha vez e espreitava às escondidas, as entradas sorridentes com o tutu que me fazia sentir tão menina, a ansiedade de encontrar alguém conhecido a ver-me na plateia, o nervosismo para não me enganar, a vontade de rir desse mesmo nervosismo. sentia-me, enquanto esperava, de visita ao meu próprio passado e senti um gosto imenso de estar a revisitar tudo isto e uma curiosidade imensa de saber do espaço para lá das portas.
abriram-nas finalmente e eu segui a fila dos lugares ímpares. quando entrei na sala a minha memória deu saltos rápidos entre o passado e o presente. bem rápidos. a minha memória não reconheceu o espaço. tinha havido obras, eu sabia, e tudo estava diferente e tudo era muito mais pequeno do que a minha memória guardava. atravessei a sala dum lado ao outro num instante e não quis acreditar que aquele salão da minha infância era ,e sempre tinha sido afinal, só esta sala. no palco, o homem para quem dei os meus primeiros passos, apresentava o primeiro painel. também ele mais pequeno do que eu me lembrava.
à noite, ainda guardava estas imagens e a sensação espacial e temporal do teatro estar diferente e de eu própria estar também diferente. garantiram-me que o teatro não estava mais pequeno, apesar das obras. e que, sim, eu é que tinha crescido.
talvez eu tenha crescido só uns quarenta centímetros desde essa altura, mas o teatro municipal diminui muitos e muitos metros.
vou guardar a memória da infância. a enormidade da sala e da sensação. é esse o teatro que vou guardar para sempre.
20.5.11
o estilo
o estilo é uma coisa maravilhosa!
o estilo nunca nos deixa ficar mal!
o estilo fica bem a toda a gente!
e tudo fica bem ao estilo!
ainda bem que inventaram o estilo!
ainda bem que o estilo está na moda!
ainda bem que, graças ao estilo, pude sair à rua com um saco de compras a fazer de carteira!!
o estilo nunca nos deixa ficar mal!
o estilo fica bem a toda a gente!
e tudo fica bem ao estilo!
ainda bem que inventaram o estilo!
ainda bem que o estilo está na moda!
ainda bem que, graças ao estilo, pude sair à rua com um saco de compras a fazer de carteira!!
19.5.11
15.5.11
bola preta
sabia, no mais fundo de si, que um dia havia de ganhar campeonatos de bowling com aquela bola preta que tinha guardada. não conseguia desfazer-se dela, por isso, se não fosse bowling, para alguma coisa nobre haveria de servir. não havia pressa.
12.5.11
28.4.11
17.4.11
13.4.11
rua
ainda que já ninguém conhecido morasse naquela rua,
ela não conseguiu,
naquele dia de primavera,
deixar de desviar o seu caminho e de voltar a passar por lá.
parou por momentos e levantou a cabeça.
não houve nenhum movimento.
mas,
naquele curto espaço de tempo,
todas as imagens possíveis voltaram àquela varanda
e duas pessoas voltaram a estar lá em cima.
ela não conseguiu,
naquele dia de primavera,
deixar de desviar o seu caminho e de voltar a passar por lá.
[em busca da emoção da altura e de uma certa leveza nostálgica.]
não houve nenhum movimento.
mas,
naquele curto espaço de tempo,
todas as imagens possíveis voltaram àquela varanda
e duas pessoas voltaram a estar lá em cima.
desceu a rua e apanhou o metro para os anjos.
5.4.11
4.4.11
carta V
querida amiga,
não posso deixar de te dizer que a varanda está a ficar linda e que espero que cuides bem de todas as plantas. fica maravilhoso o jardim suspenso, no meio da cidade, com vista para o rio e para as estrelas. grande ideia!
é espantoso ver-te a apreciar a primavera como nunca antes tinha visto. as fotografias. os olhos bem abertos. os gritos perante as flores novas nas árvores. (percebi a tua emoção ao olhar para a tua querida ameixoeira que finalmente ganhou flores e folhas, como há tanto esperavas.)
também não posso deixar de te dar os parabéns pela tua conquista dos bichos da seda* e das flores das fadas. já sei que te deixou muito contente teres conseguido trazê-los para esta primavera.
fico aqui a apreciar a tua alegria.
cuida bem de ti.
um abraço daqueles fortes de que tu tanto gostas
p.s também reparei que tens usado agenda. boa!
* para não te esqueceres da tua descoberta, vou escrevê-la aqui no rodapé da carta: num dos dias em que andavas no jardim com os meninos da tua sala, reparaste que a amoreira já tinha folhas muito pequeninas. a tua cabeça primaveril começou a pensar nos ovinhos dos bichos da seda que tinhas guardado junto ao teu cacifo e na possibilidade de eles estarem também a desabrochar. e, pois bem, acertaste em cheio: umas minúsculas linhas pretas tinham já furado o ovo para vir viver. impressionante, a natureza, não é? agora já sabes como se fazem os ciclos destes bichinhos, só te falta descobrir o que fazer com os casulos.
não posso deixar de te dizer que a varanda está a ficar linda e que espero que cuides bem de todas as plantas. fica maravilhoso o jardim suspenso, no meio da cidade, com vista para o rio e para as estrelas. grande ideia!
é espantoso ver-te a apreciar a primavera como nunca antes tinha visto. as fotografias. os olhos bem abertos. os gritos perante as flores novas nas árvores. (percebi a tua emoção ao olhar para a tua querida ameixoeira que finalmente ganhou flores e folhas, como há tanto esperavas.)
também não posso deixar de te dar os parabéns pela tua conquista dos bichos da seda* e das flores das fadas. já sei que te deixou muito contente teres conseguido trazê-los para esta primavera.
fico aqui a apreciar a tua alegria.
cuida bem de ti.
um abraço daqueles fortes de que tu tanto gostas
p.s também reparei que tens usado agenda. boa!
* para não te esqueceres da tua descoberta, vou escrevê-la aqui no rodapé da carta: num dos dias em que andavas no jardim com os meninos da tua sala, reparaste que a amoreira já tinha folhas muito pequeninas. a tua cabeça primaveril começou a pensar nos ovinhos dos bichos da seda que tinhas guardado junto ao teu cacifo e na possibilidade de eles estarem também a desabrochar. e, pois bem, acertaste em cheio: umas minúsculas linhas pretas tinham já furado o ovo para vir viver. impressionante, a natureza, não é? agora já sabes como se fazem os ciclos destes bichinhos, só te falta descobrir o que fazer com os casulos.
31.3.11
30.3.11
29.3.11
há dias XX
há dias em que queremos deixar cair o braços e desistir. em que estamos verdadeiramente cansados de lutar e se nos turvam os olhos interiores para tudo aquilo que já conseguimos.
há dias em que boicotamos a capacidade de acreditar que vamos conseguir lá chegar.
não é nada fácil mudar.
não é nada fácil pegar no que genuinamente somos e começar a fazer de maneira diferente.
resta-nos o aconchego de algumas frases ditas pelos amigos
"o bom dos dias maus é que nos fazem valorizar os bons".
há dias em que boicotamos a capacidade de acreditar que vamos conseguir lá chegar.
não é nada fácil mudar.
não é nada fácil pegar no que genuinamente somos e começar a fazer de maneira diferente.
resta-nos o aconchego de algumas frases ditas pelos amigos
"o bom dos dias maus é que nos fazem valorizar os bons".
26.3.11
19.3.11
a lua para o meu pai
em dia de Dia do Pai
não podia ter melhor espectáculo para oferecer ao meu pai
assim à distância.
não podia ter melhor espectáculo para oferecer ao meu pai
assim à distância.
a Lua
para ti Pai
que hoje nasceu mais próxima da Terra
assim grande
para ti que te passeias por ela
sem desvendar os seus segredos
guarda-a bem
para quando fechares os olhos
ser ela a iluminar o teu sono
é tua
sou eu que ta dou
com toda a alegria de ser tua filha
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