13.4.11

rua

ainda que já ninguém conhecido morasse naquela rua,
ela não conseguiu,
naquele dia de primavera,
deixar de desviar o seu caminho e de voltar a passar por lá.

[em busca da emoção da altura e de uma certa leveza nostálgica.]
parou por momentos e levantou a cabeça.
não houve nenhum movimento.
mas,
naquele curto espaço de tempo,
todas as imagens possíveis voltaram àquela varanda
e duas pessoas voltaram a estar lá em cima.

desceu a rua e apanhou o metro para os anjos.

4.4.11

carta V

querida amiga,

não posso deixar de te dizer que a varanda está a ficar linda e que espero que cuides bem de todas as plantas. fica maravilhoso o jardim suspenso, no meio da cidade, com vista para o rio e para as estrelas. grande ideia!

é espantoso ver-te a apreciar a primavera como nunca antes tinha visto. as fotografias. os olhos bem abertos. os gritos perante as flores novas nas árvores. (percebi a tua emoção ao olhar para a tua querida ameixoeira que finalmente ganhou flores e folhas, como há tanto esperavas.)

também não posso deixar de te dar os parabéns pela tua conquista dos bichos da seda* e das flores das fadas. já sei que te deixou muito contente teres conseguido trazê-los para esta primavera.

fico aqui a apreciar a tua alegria.
cuida bem de ti.

um abraço daqueles fortes de que tu tanto gostas


p.s também reparei que tens usado agenda. boa!

* para não te esqueceres da tua descoberta, vou escrevê-la aqui no rodapé da carta: num dos dias em que andavas no jardim com os meninos da tua sala, reparaste que a amoreira já tinha folhas muito pequeninas. a tua cabeça primaveril começou a pensar nos ovinhos dos bichos da seda que tinhas guardado junto ao teu cacifo e na possibilidade de eles estarem também a desabrochar. e, pois bem, acertaste em cheio: umas minúsculas linhas pretas tinham já furado o ovo para vir viver. impressionante, a natureza, não é? agora já sabes como se fazem os ciclos destes bichinhos, só te falta descobrir o que fazer com os casulos.

30.3.11

mercúrio



(daqui)

um desejo imenso de viajar pelo espaço
lá mais perto dos planetas.
se fechar os olhos consigo quase imaginar.

29.3.11

há dias XX

há dias em que queremos deixar cair o braços e desistir. em que estamos verdadeiramente cansados de lutar e se nos turvam os olhos interiores para tudo aquilo que já conseguimos.
há dias em que boicotamos a capacidade de acreditar que vamos conseguir lá chegar.


não é nada fácil mudar.

não é nada fácil pegar no que genuinamente somos e começar a fazer de maneira diferente.

resta-nos o aconchego de algumas frases ditas pelos amigos

"o bom dos dias maus é que nos fazem valorizar os bons".

26.3.11

20.3.11

fELiz PriMavERa



"Este ano de 2011 a Primavera inicia-se às 23 horas e 21 minutos do dia 20 de Março(...)"
(daqui)

brindo hoje a esta casa lisboeta com vista para o rio







e à possibilidade que ela me dá
de me sentir próxima do meu justo tamanho na Terra


19.3.11

a lua para o meu pai



em dia de Dia do Pai
não podia ter melhor espectáculo para oferecer ao meu pai
assim à distância.


a Lua

para ti Pai

que hoje nasceu mais próxima da Terra

assim grande

para ti que te passeias por ela

sem desvendar os seus segredos


guarda-a bem
para quando fechares os olhos
ser ela a iluminar o teu sono

é tua
sou eu que ta dou
com toda a alegria de ser tua filha

12.3.11


A Rita, quando se irRita, alitera!


10.3.11

no fim do dia

no fim do dia chega-se a casa e devem guardar-se duas ou três imagens boas do dia.

uma viagem de eléctrico.
uma descida a pé pela almirante reis.
um passo de dança criado pela primeira vez.
uma ameixoeira que começou a dar flor.
um ataque de riso com duas pessoas com quem não nos ríamos há muito tempo.
um abraço de alguém a quem demos um presente porque nos apeteceu.
uma decisão que deixou pessoas felizes.

[até conseguimos guardar mais.]

no fim do dia devemos conseguir respirar fundo e adormecer sossegados.

9.3.11

para a C.

era como se tivesse dentro dela
uma pequena guerreira

que ia crescendo
e um dia
sem querer
se tornaria nela

e
nesse dia
deixaria de ser guerreira
e passaria a ser ela

27.2.11

sunday is a common day


há dias em que a nossa família cresce.
esses são dias felizes.

(para o D., a T. e a J.)


13.2.11

inquietação

Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que está pra acontecer
Qualquer coisa que eu devia perceber
Porquê, não sei
Porquê, não sei
Porquê, não sei ainda

Cá dentro inquietação, inquietação
É só inquietação, inquietação
Porquê, não sei
Mas sei
É que não sei ainda

Há sempre qualquer coisa que eu tenho que fazer
Qualquer coisa que eu devia resolver
Porquê, não sei
Mas sei
Que essa coisa é que é linda

josé mário branco




11.2.11

11022011


até hoje aquilo que vi ao vivo de mais semelhante com esta alegria foram os festejos do euro 2004.
chega a ser estranho.


9.2.11

conversas de amigos

- não gosto de te ver assim triste.
- e gostas de me ver contente?
- claro!
- mas... e se eu estiver mesmo triste?

6.2.11


"é pior estar perdido ou ter medo?"

gonçalo m. tavares

1.2.11

um mapa


um mapa.
agora um mapa, por favor.
para saber por onde ir.
um mapa feito por mim.
um mapa feito por mim num colapso temporal.
isso é que era!!

um mapa.

(e daqueles que têm anotados os pontos de interesse culturais e patrimoniais, as ruas principais e pequenos recantos a não perder.)

25.1.11

escritos de rajada III

a sua principal função era tratar da limpeza do escritório. o Sr Doutor gostava dos papéis meticulosamente organizados em cima da secretária, do caixote do lixo despejado, dos livros com a lombada verticalmente equilibrada e do mais alto para o mais baixo.
Anabela ficara incumbida apenas do escritório para poder dedicar-se, todos os dias, a uma limpeza a fundo. não percebia bem as pequenas obsessões, mas tratava das suas tarefas com a sua característica alegria. ligava o rádio e trabalhava sempre ao som da música.
nesse dia, resolveu carregar no play. não lhe apetecia ouvir as notícias.

(...)

deixou suspenso o trabalho, o corpo só ganhando o movimento da música.
emocionou-se.
não resistiu a procurar de quem seria esta música.
abriu o leitor
e no CD...
para Anabela.

17.1.11

quem me dera não chegar nunca chegar ficar por lá volta à serra toda a vida

11.1.11


Sweet child o' mine
Sweet love of mine


Where do we go

Where do we go now
Where do we go
Sweet child o' mine

8.1.11

há dias XIX



há dias em que mudamos a nossa imagem.


HJ em FV (A Gajota em Fim de Vida)

"O Veículo em Fim de Vida (VFV) corresponde genericamente aos veículos que não apresentando condições para a circulação, em consequência de acidente, avaria, mau estado ou outro motivo, chegaram ao fim da respectiva vida útil, passando a constituir um resíduo."


7.1.11

- então, já arranjaste os dentes todos?
- falta-me só uma coisinha.
- o quê?
- vender o punto.