6.2.11


"é pior estar perdido ou ter medo?"

gonçalo m. tavares

1.2.11

um mapa


um mapa.
agora um mapa, por favor.
para saber por onde ir.
um mapa feito por mim.
um mapa feito por mim num colapso temporal.
isso é que era!!

um mapa.

(e daqueles que têm anotados os pontos de interesse culturais e patrimoniais, as ruas principais e pequenos recantos a não perder.)

25.1.11

escritos de rajada III

a sua principal função era tratar da limpeza do escritório. o Sr Doutor gostava dos papéis meticulosamente organizados em cima da secretária, do caixote do lixo despejado, dos livros com a lombada verticalmente equilibrada e do mais alto para o mais baixo.
Anabela ficara incumbida apenas do escritório para poder dedicar-se, todos os dias, a uma limpeza a fundo. não percebia bem as pequenas obsessões, mas tratava das suas tarefas com a sua característica alegria. ligava o rádio e trabalhava sempre ao som da música.
nesse dia, resolveu carregar no play. não lhe apetecia ouvir as notícias.

(...)

deixou suspenso o trabalho, o corpo só ganhando o movimento da música.
emocionou-se.
não resistiu a procurar de quem seria esta música.
abriu o leitor
e no CD...
para Anabela.

17.1.11

quem me dera não chegar nunca chegar ficar por lá volta à serra toda a vida

11.1.11


Sweet child o' mine
Sweet love of mine


Where do we go

Where do we go now
Where do we go
Sweet child o' mine

8.1.11

há dias XIX



há dias em que mudamos a nossa imagem.


HJ em FV (A Gajota em Fim de Vida)

"O Veículo em Fim de Vida (VFV) corresponde genericamente aos veículos que não apresentando condições para a circulação, em consequência de acidente, avaria, mau estado ou outro motivo, chegaram ao fim da respectiva vida útil, passando a constituir um resíduo."


7.1.11

- então, já arranjaste os dentes todos?
- falta-me só uma coisinha.
- o quê?
- vender o punto.

4.1.11

voltar atrás e seguir em frente

(obrigada I. por esta imagem)

Ele - "crescemos, evoluímos... vamos sempre em frente e construímos o nosso mundo, a nossa vida. é muito importante ir em frente. acumular experiências."
Ela - "é verdade, vamos sempre em frente... mas... e se nos apetecer voltar atrás e reconstruir a partir do que já crescemos?"

Ele - "como assim?"

Ela - "imagina que deixei um sonho lá para trás... que me fui esquecendo dele e ele já nem tem uma forma definida... e, no entanto, vibra aqui dentro à espera que o ouça."
Ele - "hmmm..."
Ela - "isso também é ir sempre em frente, não é? mesmo voltando atrás?"
Ele - "bem, estás a baralhar-me."

Ela - "se eu for lá atrás buscar algo de que me esqueci e voltar ao sítio onde estou... isso também é seguir em frente, não é?"
Ele - "bem, onde é que passaste o ano, mulher?!"
Ela - "no terreiro do paço!" (suspiro)

31.12.10

está sol lá fora.

vou a correr ter com ele. agradecer-lhe por ter aparecido nas custosas alvoradas matinais dos meses frios. por ter estado na praia do cavaleiro naquele dia partilhado com bons amigos. por ter vindo para uma festa e deixasse que todos pudéssemos lá estar. por ter furado a chuva para o B. poder fazer o seu teatro.

está um grande último dia de 2010.

10.12.10

pequenos grandes prazeres II





com os cabelos do F. e a ajuda da J.

1.12.10

há dias XVIII


há dias em que v
oltamos a ter cinco anos


e o coração a explodir
de alegria
e um sorriso desmesurado na cara.

29.11.10



UM DIA ACERTO
DEFINITIVAMENTE
OS TEMPOS.

HOJE NÃO FOI O DIA.




28.11.10


com a quantidade de papel que gasto, rasgo, rascunho e deito fora espero estar de facto a contribuir para a reciclagem.


22.11.10

o mais importante é começar

dizia eu à J.
"o mais importante é começar, J. dar o primeiro passo. é o que custa mais. depois vai-se fazendo cada vez melhor e mais facilmente. sabe muito bem, depois. vais ver.
começa como sabes e pronto."


é um cliché, bem sei, mas às vezes é preciso repeti-lo para não nos deixarmos envolver pelo medo ou pela preguiça ou outros fantasmas que criamos à volta do que temos para fazer e de que não podemos [e no fundo nem queremos] fugir.
às vezes temos de nos obrigar a nós próprios a começar e a enfrentar os afazeres, mesmo que sem vontade nenhuma. às vezes não sabemos fazer, mas temos de [e no fundo queremos] fazer. e começa tudo por sair a ferros, com outros afazeres menos urgentes metidos pelo meio. com o corpo a ir fazer muitas coisas, mas a cabeça sempre a pensar no que está lá à nossa espera. e voltamos a obrigar-nos à concentração e lá fazemos.
quase uma luta connosco próprios.


e o prazer... o prazer chega depois. quando conseguimos. quando, etapa a etapa, vamos percebendo que fomos mais longe e que não valia a pena ter tido medo ou preguiça ou outros fantasmas e afazeres menos urgentes que nos fizeram [afinal] perder tempo.
o prazer chega quando [afinal] percebemos que temos tempo para tudo e ficamos maiores depois de dar o primeiro passo.

quando é preciso fazê-lo outra vez, até sorrimos ao medo ou à preguiça ou outros fantasmas e afazeres.

[pena é, às vezes, não encontrarmos textos eloquentes para dizer estas coisas.]

14.11.10

que tempos


sei lá que tempos são estes.
agitados por dentro e por fora.
cheios.
de encher a cabeça toda.
os dias todos.

justificando o silêncio das linhas.

preparam-se tempos de muito trabalho e investe-se na calma.

serões caseiros. fins de semana caseiros. tudo caseiro.
com papéis à frente e um mundo inteiro de palavras por escrever.

com a incerteza do tempo que fica entre mim e a próxima escrita.


20.10.10

há dias XVII



há dias em que discutimos
até explodir... de riso.


(esses são os dias em que descobrimos
que quem fala mais alto pode ter muito muito medo)


9.10.10



"You won't find a girl in this damn world
That will compare with me"

henry lee, nick cave




30.9.10

Hakuna Matata


Hakuna Matata!
What a wonderful phrase!

Hakuna Matata!
Ain't no passing craze!

It means no worries for the rest of your days!
It's our problem-free philosophy

Hakuna Matata!

Hakuna Matata?
Yeah! It's our motto.
What's a motto?
Nothing. What's a motto with you?
(eheeheh)

Those two words will solve all your problems!


24.7.10

quando alguém morre

quando alguém morre há qualquer coisa que fica suspenso.
qualquer coisa que se vira do avesso.
qualquer coisa que pequenina média ou grande nos percorre
por dentro.
por um dia por dois por uma semana por meses por um ano por dois para sempre.
qualquer coisa que nos incomoda.
qualquer coisa que nos puxa e não sabemos bem para onde.
o quotidiano não volta a ser o mesmo.
as pessoas não voltam a ser as mesmas.
a nossa cabeça não é a mesma.
a nossa vontade não é a mesma.
quando alguém morre paramos pensamos em caminhos que não queremos deixar de percorrer.
o nosso mundo treme e não volta a girar da mesma forma.

quando alguém morre temos a vida toda pela frente.
tenha ela o tamanho que tiver




23.6.10

Penso nas férias

"Penso nas férias, quando saímos do ninho, justamente.
Saber partir, saber que podemos viver como nómadas, isso aprende-se quando somos pequeninos. Partir “leve”, sem a varinha mágica, nem os três pares de sapatos… foi uma coisa que aprendi com a minha mãe.
Até aos quinze anos, passava férias numa casa na Bretanha que tinha a particularidade de ser na praia e de medir dois metros por três! Foi o meu pai que a construiu. Na realidade era uma grande cabana de praia para nós os cinco: duas camas de beliche em baixo, três camas no sótão, uma mesa com um Camping Gaz… e era tudo. Sem electricidade e com a torneira de água fria e as casas de banho na praia.
De manhã abríamos a porta e a primeira coisa era… “Onde está o mar?”.
Se a maré estava cheia, bebíamos a nossa taça de chocolate com os pés na água. Se estava baixa, corríamos na nossa sala de um quilómetro quadrado, lavada todos os dias pela maré.
A casa de férias menos cara do mundo, e durante três semanas, a felicidade total!
Nem vale a pena dizer que em vez de malas, tínhamos três t-shirts, três cuecas, um pullover quentinho e um par de botas arrumado debaixo do beliche. Todas as manhãs uma fileira de cuecas secava na ameixoeira mais próxima…
Aprendi de pequenina que podemos viver em qualquer lado do mundo, com muito pouco.
Sentir que somos capazes de ser felizes assim, liberta-nos.
Saber que podemos viver quase como os pássaros do céu, eis algo formidavelmente tranquilizador.”

Agnès Rosenstiehl

10.6.10

dia de portugal



"o valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis!"

fernando pessoa


1.6.10



Naquela primavera,
os jacarandás floriram
ao mesmo tempo do que ela.



26.5.10



quantos boicotes são precisos para conseguir a liberdade?



24.5.10

But I´m not

"I wish I were one of those people who wrote songs quickly. But I´m not. So it takes me a great deal of time to find out what the song is."
Leonard Cohen


desde que li estas palavras que trago em mim um sentimento muito pacífico de que não faz mal eu demorar muito tempo a pensar nas coisas e a tomar uma decisão. não faz mal. eu adorava ser daquelas pessoas que pensam e tomam decisões muito rápido. But I´m not. e por isso demoro algum tempo a ter uma opinião, a saber por onde vou, a escolher o que me é mais importante. talvez o que realmente esteja por trás desse tempo seja a procura do sentido verdadeiro do que penso e do quero.

12.5.10

há dias XVI


há dias em que crianças são retiradas à família
e não tivemos mão nisso
e sentimos também o nosso mundo todo remexido.
esses são dias díficeis para a cabeça e para o corpo.