6.6.09
31.5.09
há dias VIII
há dias em que subimos ao sótão
escolhemos o que realmente interessa para contarmos a nossa história
e deitamos fora o que só está a ocupar o espaço do presente e do futuro.
esses dias são muito muito cheios.
24.5.09
inesperadamente
num determinado momento
inesperadamente
quando menos achamos que alguma coisa vai acontecer
surprendemo-nos
com as possibilidades criativas que há dentro de nós
com os mundos que conseguimos criar
com as voltas que conseguimos fazer o mundo dar
com as histórias que podemos alterar
com a incrível resistência que temos
com os limites que afinal são superiores ao que imaginávamos
inesperadamente
vem do mais fundo de nós uma voz acompanhar as nossas ideias e fazer-nos dançar
vem lá do fundinho uma força enorme tocar-nos o corpo todo
o corpo todo
e fazer-nos seguir os impulsos do que desejamos
inesperadamente
quando nos damos espaço para tudo poder acontecer
tudo começa realmente a querer acontecer
(de cristina para cristina com um fim de semana pelo meio)
17.5.09
mudanças
depois decidimos mudar os móveis da sala e volta a vontade de rir.
é espantoso como o segredo é simples.
12.5.09
11.5.09
Sempre Foi Assim
Corre, corre meu menino
estica o peito para a frente
mete pernas ao caminho
meu dezreizinhos de gente
e até mais ver
Mete pernas pelo mundo
escreve de terras distantes
um postal de vez em quando
p´ra lembrar como era dantes
e até mais ver
Anda comigo
e já vais ver que não te minto
quando digo
que já sinto
o que vai ser
em nós diferente
Sempre foi assim
dizem
sempre foi assim
sempre foi assim
mas está a ser diferente
Atende em todos os lugares
no que muda e no que não
andes lá por onde andares
escolhe bem o teu irmão
e até mais ver
Não há só irmão de leite
não há só irmãos de vinho
aceita quem te quer aceite
escolhe, escolhe meu menino
e até mais ver
anda comigo
e já vais ver que não te minto
quando digo
que já sinto
o que vai ser
em nós diferente
Sempre foi assim
dizem
sempre foi assim
sempre foi assim
mas está a ser diferente
Tempo, tempo já passou
E gente como tu crescendo
dá-me força no que sou
para ser o que vou sendo
e até mais ver
Tempo, tempo que vier
há-de ser p´ra ti diferente
luta, luta meu amor
meu dezreizinhos de gente
e até mais ver
Anda comigo
E já vais ver que não te minto
quando digo
que já sinto
o que vai ser
em nós diferente
Sempre foi assim
dizem
sempre foi assim
sempre foi assim
mas está a ser diferente
Sérgio Godinho
5.5.09
4.5.09
3.5.09
monólogo curto
haliwuhajhgfhbvsuytksbgkdjbdjgksuytlaxmcnbvh eusl uewuig ugelugnb suiefbsgseb uesgiug klhgagrhgarh iareonrlkzngir irnhzlzinlbi inffstreepmbxmbvxlçhg jguudlasgsgbsghg.
28.4.09
correr II
corremos muito.
sempre gostei mais de caminhar do que de correr.
talvez seja melhor voltar a esse prazer.
talvez não seja preciso correr tanto.
27.3.09
alguém cantando
Alguém cantando longe daqui
Alguém cantando ao longe, longe
Alguém cantando muito
Alguém cantando bem
Alguém cantando é bom de se ouvir
Alguém cantando alguma canção
A voz de alguém nessa imensidão
A voz de alguém que canta
A voz de um certo alguém
Que canta como quer pra ninguém
A voz, de alguém quando vem do coração
De quem mantém toda pureza
Da natureza
23.3.09
há dias VI
6.3.09
3.3.09
a minha avó
quando o mês de março entra no calendário lembro-me sempre da minha avó por ter sido o mês em que ela morreu. hoje, numa conferência, o Daniel Sampaio falava da importância da relação avós-netos e a minha cabeça encheu-se de recordações que me trouxeram uma saudade imensa. então, hoje, passados cinco anos, voltei a ler uma carta que me escrevi a mim, no dia em que ela morreu, para ter a certeza de que não me iria nunca esquecer de como éramos. de como ela era e eu a via. uma carta também para ela, na ânsia de não me estar a despedir.
hoje tenho saudades dela.
A minha avó limpava os caixotes de lixo e contava as moscas que matava.
A minha avó rezava alto e pedia protecção para nós todos e para os seus amigos.
A minha avó levava-me à missa e, quando não pode mais ir, ouvia-a cada vez mais alto na televisão, porque os seus ouvidos ouviam cada vez menos.
A minha avó sabia muitas palavras e dizia "bou buer um bucuado d´áuga".
A minha avó sabia todos os medicamentos que tinha que tomar e era ela quem os contava e trazia para a mesa.
Fez de mim sua cabeleireira quando, ao não poder mais fazer o seu carrapito sozinha, me pediu que lhe cortasse o cabelo curtinho.
Fez de mim seu boletim informativo quando deixou de conseguir ler o jornal e me pedia que o fizesse.
A minha avó teve graças para dizer até ao último momento.
A minha avó era muito teimosa, muito casmurra. Viveu até ao fim. Tratou de si até o coração lhe pedir "Bina, deixa-me descansar."
Sabia o que tinha deixado por fazer e disse algumas vezes que "o milho ficou por debulhar em casa da Tia Clara."
A minha avó ralhava, era intransigente, mandona. Tinha muitas zangas com ela. Ouvia conversas. Criticava os meus amigos. Falava das horas a que eu chegava. Mas eu sei que gostava muito de mim e eu sei que também gostava muito dela. Pena os silêncios. Pena as horas não aproveitadas. Os dias não aproveitados.
A minha avó ensinou-me a coragem de viver e de lutar e só hoje é que eu percebi. Nos seus últimos dias no hospital, recusou-se a ter mais tubos e máscaras. "Eu estou melhor sem isto" - dizia ela da máscara. Amarraram-lhe as mãos e os pés. À minha avó, que quis andar sempre e deixar o tempo passar no seu corpo. Mas, na falta da sua integridade, tenho a certeza que ela decidiu a sua hora, como sempre decidiu tudo na sua vida.
Viveu os últimos anos em casa sem enlouquecer. Sempre ligada à vida terrena e aos dias que passavam.
Despedi-me dela no dia 9 de março.
Disse-me "Vai com Deus" e, pela primeira vez, parecendo que adivinhava, respondi-lhe "Fique com Deus, avó"
Vem amanhã.
Não viu o Lombomeão pela última vez. A sua terra. A sua vida.
A minha avó foi embora num dia de sol quentinho. Num daqueles dias em que ela gostava de se sentar no pátio e ficar a olhar, por baixo do seu chapéu, o quintal a que se dedicou sempre.
Apertou-me a mão com força a última vez que a vi e procurou o meu olhar. Explicou-me exactamente o que se deve fazer para que as plantas não passem sede. E ficou a olhar para mim. Despedimo-nos assim com o olhar uma na outra.
Avozinha, descansa agora em paz. Não sejas tão teimosa aí desse lado. Trata bem as pessoas como tu sabes fazer. Conversa com a Alzira e manda-lhe beijos meus. Não te zangues por não te termos contado do tio João... queríamos ter-te mais um bocadinho.
Prometo-te, avó, que vou tentar tratar da nossa família.
Um beijo muito grande até à eternidade."
26.2.09
Road To Nowhere
Well we know where we're going
But we don't know where we've been
And we know what we're knowing
But we can't say what we've seen
And we're not little children
And we know what we want
And the future is certain
Give us time to work it out
Ye-ah
We're on a road to nowhere
Come on inside
Taking that ride to nowhere
We'll take that ride
I'm feeling okay this morning
And you know
We're on the road to paradise
Here we go, here we go
We're on a ride to nowhere
Come on inside
Taking that ride to nowhere
We'll take that ride
Maybe you wonder where you are
I don't care
Here is where time is on our side
Take you there, take you there
We're on a road to nowhere (ha! ha!)
We're on a road to nowhere (ha! ha!)
We're on a road to nowhere (ha! ha!)
There's a city in my mind
Come along and take that ride
And it's all right, baby, it's all right
And it's very far away
But it's growing day by day
And it's all right, baby, it's all right
Would you like to come along
You can help me sing this song
And it's all right, baby, it's all right
They can tell you what to do
But they'll make a fool of you
And it's all right, baby, it's all right
There's a city in my mind
Come along and take that ride
And it's all right, baby, it's all right
And it's very far away
But it's growing day by day
And it's all right, baby, it's all right
And would you like to come along
You can help me sing this song
And it's all right, baby, it's all right
They can tell you what to do
But they'll make a fool of you
And it's all right, baby, it's all right
We're on a road to nowhere (hey!)
We're on a road to nowhere (heugh!)
We're on a road to nowhere (ha! ha!)
We're on a road to nowhere
[ from the album "Little Creatures" (1985) ]
24.2.09
11.2.09
querinda
linkar para não plagiar
9.2.09
correr
8.2.09
ilhas
3.2.09
20.1.09
posse
e nem tudo é nosso, não. o que está à nossa volta pertence a si mesmo. tem vida própria. e é uma liberdade muito grande aceitar isto.
14.1.09
dentes
"e eu também..." - pensei eu com trinta.
11.1.09
imagens
os dois muito gordos e grandes e cor de laranja.
quase a conseguirem ver-se.
4.1.09
carta II
entrei agora no teu quarto e voltei a reparar nos cantos onde costumas acumular tudo e mais alguma coisa.
estás mais uma vez de parabéns!
pela decisão que tomaste de começar o ano com tudo arrumado e, para além disso, com coisas deitadas fora. sei que houve dias em que o fizeste a martelo. sei que não ficaste muito contente com o resultado e esperavas que a limpeza fosse maior, mas está muito bem. está realmente bem.
um abraço apertado.
p.s - podias só dar um jeitinho na mesinha de cabeceira. tem para lá umas coisas que dão cabo da cabeça de qualquer pessoa que queira limpar o pó.